domingo, 30 de dezembro de 2012

Scrabble, ou palavras cruzadas



O pacote de presente veio completo: a visita de Renato, Lorena e Cleomar, com um tabuleiro para jogarmos scrabble - também conhecido como palavras cruzadas.


Jogo finalizado: restaram apenas 3 peças fora do tabuleiro. 


Dois dos jogadores, em conversa animada, 
enquanto uma sopa acabava de ser preparada.

Foto: Renato Cirino
 O tabuleiro...


 Foto: Renato Cirino
O tabuleiro...

 Foto: Renato Cirino
O tabuleiro...





do Livro sobre nada

Livro sobre nada 
Manoel de Barros



Para nos inspirar em 2013...


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

exercício de amorosidade



Quando pipocam os fogos de artifício, à meia noite, na virada de 24 para 25 de dezembro, ouço com estranheza a efusiva comemoração. Celebra-se o que, exatamente, nesse momento? O que ocorre nesse passo do tempo, que justifica toda a eclosão de abraços, formulações de votos, comida, bebida, excitação? Cena que tem repetição uma semana depois, quando no calendário é marcada a virada do ano, num fracionamento do tempo sujeito a variações. O que marcam, de fato, essas celebrações?

Lembro-me da primeira ceia de Natal de que tomei parte, na casa de amigos, já vivendo na cidade. Mesa farta, convidativa, aromas deliciosos. Quando os convivas decidiram que havia batido a meia noite, todos começaram a se abraçar, e formular os melhores votos. E eu me perguntava por que àquela hora, e não antes, ou depois, e por que não todos os dias, quando encontramos nossos queridos? Na semana seguinte, lá estava eu, novamente, com a mesma família, acolhida afetuosamente, e novamente lá estava a mesa farta, e novamente à meia noite os votos, a festividade. Eu era abraçada e abraçava, repetindo o gesto de todos, mas me perguntando por que naquele momento e não antes, e não depois?

Já não tenho qualquer intenção de disfarçar meu desconforto com as festas de passagem de ano. Meus votos, formulados nesta época, podem ser estendidos a todos os dias do ano. Declarações de afeto me acompanham quando encontro pessoas queridas. E também quando não as encontro, e lhes sinto a falta.

Afinal, o exercício de amorosidade atravessa calendários, independe dos dias da semana, dos rituais, dos feriados nacionais. Ou não será exercício de amorosidade.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

entre a anomia e a ditadura

...
uma sociedade deve ser desorganizada o bastante que nos possibilite inventar maneiras para organizá-la, e organizada o suficiente para que nos dê vontade de desorganizá-la. 

mas não deve ser tão desorganizada a ponto de se tornar anômala, tampouco deve ser tão organizada a ponto de configurar uma ditadura, ou um regime totalitário.

a questão está em descobrir esse ponto de equilíbrio entre a flexibilidade e a firmeza, tarefa demorada por requerer experimentações, erros e instabilidades entre as polaridades: qualquer instante de equilíbrio exige maturidade da comunidade.

provavelmente, o tempo necessário para essa aprendizagem seja mais longo, bem maior, do que a vida de algumas gerações - talvez muitas gerações.
...



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

um pequeno funeral



Continuo observando o casal de quero-queros. Não chega a ser uma observação sistemática, mas tem alguma regularidade. E por isso mesmo, já pude testemunhar momentos inusitados na vida das duas criaturinhas.

Da última ninhada, nasceram 3 filhotes. Mal nasceram, e andavam correndo pelo asfalto do estacionamento. Quase fiquei aflita com a visão. Já no dia seguinte, as crias estavam subtraídas em um. Os outros dois andaram, por vários dias, correndo entre a grama: pequenas bolinhas de penugem equilibrando-se sobre pernas muito longas e ágeis. Mas logo encontrei apenas um ainda vivo - era o mais forte, mais resistente. O pequeno sobreviveu a um evento, na universidade, que ocupou todo o estacionamento ao lado de onde eles vivem. Resistiu à chuvarada, e ao calor. Suas penugens estavam já mais escurecidas, e cheguei a pensar que ele conseguiria atravessar o período mais crítico para os filhotes, e colocar-se adolescente. Enganei-me.

Ontem, no final da tarde, presenciei cena que me comoveu. Próxima ao poste de luz, a fêmea emitia sons que chamavam o pintinho, e andava em círculos, com as penas um pouco arrepiadas. Inicialmente, não pude ver o filhote. Mas ouvi-lhe o piado muito fraco, agudo, como gemidos quase sussurrados. Então avistei, entre a grama, o pequeno corpo vacilante, já sem conseguir se por em pé. A cabeça mal erguia-se, no piado, e o bichinho sumia, caído no chão. O macho voava a pequena distância, em fúria, afastando qualquer outra ave que se aproximasse - pombos, almas de gato, bem te vis - exceto as vizinhas corujas buraqueiras, testemunhas instaladas em seus observatórios. Algumas vezes, a fêmea deitou-se sobre a cria, pipilando para ela, chamando para si a fagulha de vida que ainda parecia queimar, ali.

Hoje, pela manhã, encontrei os dois andando, ali perto do poste de luz. Piavam ainda como a chamar a cria. Estavam mais irritados do que de costume. À tarde, um deles bebia água numa possa distante, e o outro andava no extremo oposto ao gramado. Fui até as proximidades do poste, e pude ver o pequeno cadáver. Logo o casal percebeu-me. Ambos vieram em ataque em minha direção. Retirei-me, enquanto eles gritavam, nas cercanias do corpo. Depois, a fêmea emitiu um piado que eu ainda não ouvira, e ofereceu-se à cópula.

Não quero incorrer no equívoco de antropomorfizar o comportamento das aves. Não vou imaginar o sentimento de perda que pudesse ter se abatido sobre eles. Tampouco pensarei nas relações paternais e maternais com suas crias, os vínculos de afeto, etc., atribuindo-lhes alguma humanidade nos modos de instalar-se no mundo. O que a observação dessas aves em sua labuta tem me ensinado é que, na arrogância humana, interpretamos e atribuímos explicações às coisas do mundo, sem sequer nos darmos conta do que se passa ao nosso lado. Sem termos competência de compreender a exata dimensão de eventos fortes como esse, ali, ao alcance da vista e da mão, mas que me escapa: escapa como se escapa o último rebrilho de vida ao corpo do último filhote da ninhada mais recente daquele casal de quero-quero.

Toda vez que me ponho a observá-los, penso no mistério de sermos e estarmos aqui: nós, eles, e todas as demais formas de vida, sabidas (em bem menor número) e não sabidas (estas, em número não sabido, sequer imaginado...)



segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Ellen, Eller e Brasília



Ontem foi a final do programa produzido e veiculado pela Rede Globo de Televisão, o The Voice Brasil. A senhora da voz vitoriosa atende pelo nome de Ellen Oléria, é negra, tem os olhos brilhantes, o sorriso largo, uma voz potente e bela. Tem carisma. E tem uma namorada que, ao lado da mãe, foi assim identificada na transmissão ao vivo do último programa desta edição: “Mãe e namorada de Ellen”.

Foi inevitável lembrar Cássia Eller, voz e gestos fortes, cheios de musicalidade, ocupando todo o espaço do palco no Concerto Cabeças, invadindo as mesas no Bom Demais. Eller e Ellen: mulheres marcantes, bravas, capazes de mobilizar os públicos com sua música e seu gesto.

Isso é Brasília. Essa é a cidade que vive em efervescência cultural e artística. Brasília, a cidade, é tecida quotidianamente por essa gente, que passa ao largo das mazelas da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes. Ali, sim, transitam aventureiros, profissionais e políticos de passagem, malas prontas para retornar aos seus lugares de origem, nas unidades federativas que os elegeram, ou escolheram para assumir cargos e papéis os mais diversos. Ali transitam gentes que não têm qualquer vínculo efetivo com a cidade.

As gentes de Brasília pulsam fora desse circuito. Produzem vida com qualidade, arte, música, cinema, poesia, ciência, moda, esporte... Ellen Oléria faz parte dessas gentes, vem desse lugar, e imprime sua força na música que canta, na imagem que constrói, no gesto largo.

Merda a Ellen Oléria! Vida longa à sua voz!



domingo, 16 de dezembro de 2012

jacu


Para meus queridos Alexandre Quaresma e Christina Garcia



Para quem nunca viu um jacu, este exemplar habitou, por algum tempo, o quintal de um casal de amigos muito queridos, no Rio de Janeiro. 



Mario Quintana


Da observação

Não te irrtes, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...


Mario Quintana.




Mas o que quer dizer este poema? – perguntou-me alarmada a boa senhora.
E o que quer dizer uma nuvem? – respondi triunfante.
Uma nuvem – disse ela – umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo...
Mario Quintana.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sobre saber usar o cursor do editor de textos e as voltas que o mundo dá...



Entrei em contato com os computadores pequenos em 1993, quando trabalhei numa instituição hospitalar. Aquela talvez tenha sido a estrutura institucional de natureza civil mais autoritária de que eu tenho lembrança. Ao mesmo tempo, sua administração esmerava-se por adotar equipamentos com tecnologia de ponta. Por isso, dispôs computadores em todas as enfermarias, e outros setores de atendimento ao público.

Até então, eu produzira meus textos manuscritos ou em máquinas de escrever. Por muito tempo, trabalhara numa máquina portátil, mecânica, com estojo de cor laranja, e cujos tipos eram estilo letra cursiva, em itálico. Um charme. Mais tarde, adquiri outra máquina, também portátil, mas elétrica.

Mas quando cheguei àquele hospital, logo me deparei com textos produzidos por funcionários cuja edição era de alta qualidade. Por vezes, os textos tinham erros grosseiros no domínio da língua portuguesa, mas visualmente eram irretocáveis. Foi assim que cheguei ao editor Word. Outro programa disponível nos computadores era o Paint Brush, que começou a ser usado por nós em processos de reabilitação de pacientes com perda de movimento de braços e mãos.

Eu ia aprendendo, aos poucos, a operar os novos equipamentos. Curiosa, mas meio medrosa, avançava aos poucos, sem me arriscar demais. Havia, contudo, outra professora que demonstrava com mais domínio da situação. De qualquer situação. Eu a observava, admirada. As pessoas que se mostram seguras, que têm certezas, sempre me impressionam. Eu acredito nelas. E como sempre tenho pouca certeza em meus procedimentos, minhas escolhas e tomadas de posição, estou sempre disposta a questioná-los. Por isso mesmo, me confesso impressionada com quem tenha certezas. Era o caso dela. Parecia sempre muito segura, com alguma observação crítica a fazer.

Um dia, eu prestava atenção aos seus movimentos, enquanto ela trabalhava com o editor de textos no computador. Agilmente, digitava as palavras e as frases. Quando precisava rever alguma letra já redigida, apenas deslocava o cursor até o ponto desejado, e ali fazia a correção necessária, conduzindo o cursor de volta ao ponto de retomada do texto. Pensei que eu, ineficientemente, muitas vezes, quando identificava algum erro numa palavra anterior, em vez de apenas deslocar o cursor, eu acabava apagando o texto até o ponto do erro, e redigia tudo novamente a partir dali. Ela me pareceu tão mais inteligente e capaz do que eu...

Algum tempo depois, eu me demiti da instituição. Não sei por quanto tempo ela ainda ficou ali, nem se sua saída tenha se dado por decisão dela, ou de suas chefias. Não tive mais notícias dela. Até recentemente, quando soube que estava fazendo mestrado. Mais que isso: era seu desejo que eu tomasse parte de sua banca de qualificação e defesa. Fiquei muito impressionada – novamente.

Desde aquela época, fiz mestrado, doutorado, estágio pós-doutoral, passei a integrar um programa de pós-graduação e, atualmente, tenho orientandos de graduação, mestrado, doutorado, e supervisiono pós-doutorado. Ufa! Já escrevi livros, artigos, capítulos, tantos! Mesmo assim, continuo apagando palavras em lugar de apenas deslocar o cursor até o ponto a ser corrigido dos textos que produzo. E muitas vezes, ao fazê-lo, lembro-me dela. Agora, a reencontro, num momento importante de sua formação, no ritual de passagem do curso de mestrado – a qualificação, podendo contribuir com seu processo. Sinto-me feliz por isso.

Parece que pode haver algum sentido nas voltas que o mundo dá...

Talvez possa reformular a frase (sem apagar o já escrito): Parece que cabe a nós mesmos inventar sentidos para as voltas que o mundo dá... o mundo, e seus cursores...



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Amigos de quem não nos esqueceremos

Para Carla, Prof. J. Bamberg, e Rutinha,
 que não dispensa, por nada,
 uma tarde de brincadeiras com seus amigos cães.


Eu ficava sentada no portão da minha casa e cumprimentava os passantes que se divertiam com a solicitude daquela moleca de 4 anos de idade. Entre os passantes, estava D. Gegé a quem, um dia, confessei que queria muito ganhar um cachorrinho. Ela não se fez de rogada, e pouco tempo depois, trouxe até a nossa casa um filhotinho a quem ela chamava de Ferrinho. Era feio, como era feio! Muito barrigudo, as pernas muito finas, quase não conseguia parar em pé. Não havia muita esperança de que o pobre vingasse. E vingou. Bem cuidado, logo pôs-se animado e até dado a pequenas valentias. Foi ficando lindo: vermelho com umas manchas brancas grandes. Batizamos de Play Boy, a quem D. Maura, que trabalhava em nossa casa na fazenda, não conseguindo pronunciar as palavras em língua estrangeira, chamava de Três Bola. E ele atendia, todo faceiro.

Play Boy tornou-se um cachorro grande, pelo sedoso, companheiro, engraçado, manso e atento ao mesmo tempo. Capaz de separar brigas de galinhas sem machuca-las. Ajudava o trabalho no campo, relacionando-se com os animais sem oferecer nenhum risco. Adorava comer abacate e vergamota. Durante longas horas do dia, distraia-se disputando com o Fiel, seu companheiro no quintal, um lugar ao portão de acesso ao quintal menor, da casa. O Fiel era ousado, briguento, nervoso. Metia medo nas pessoas. Play Boy era amigo, brincava, afagava. E também nos defendia, quando necessário.

Quando meu pai morreu, e minha mãe veio embora, eles ficaram lá, vigilantes, cuidando da casa. Imagino quantas vezes tenham saído em disparada, na direção da estrada, esperando pelo nosso retorno. Morreram bem velhos, o Play Boy com 19 anos, o Fiel com 18 – o que parece ser incomum para os cães. Quando eles se foram, eu não estava lá, para despedir-me. Eu também andava às voltas com tantas perdas, que acho que quando me dei conta, eles já não estavam lá. Contaram-me, depois, como tudo aconteceu. Se não sofri de modo mais fundo naquele momento, me ressinto de sua falta no decurso do tempo, como uma ausência que uiva, desde algum ponto recôndito da memória, sem silenciar.

Lembro-me comovida desse meu amigo, sinto-lhe falta do toque no pelo denso e macio, da cara alegre, da boca rosada, do corpão desajeitado correndo pelo campo. Penso nisso, por exemplo, quando ouço, do Prof. J. Bamberg, o relato emocionado sobre seu primeiro grande amigo, o Rizo. Cachorro descarado, diz ele, com o afeto a transbordar da memória, enchendo o peito de saudades fundas, saudades que buscam, em suspiros, uma forma de se extravasar.

A memória do Play Boy, do Fiel, do Riso, são evocadas, aqui, para comungar do vazio que o Zeca deixou na morada/vida da minha querida Carla.

Não tenho dúvidas de que esses seres cumprem um papel muito mais importante em nossas vidas do que temos sido capazes de admitir, do alto da arrogância de nossa pretendida humanidade. Devemos a eles o afeto incondicional. Devemos a eles a possibilidade de aprender que amizade e companheirismo deve estar além de qualquer sentimento mesquinho, pequenos egoísmos, migalhas de poder. Se podemos, em alguma medida, sermos um pouco melhor em nossa natureza, devemos, em muito, à possibilidade de convivência com essas criaturas.

Imagino o Play Boy, o Fiel, o Bright, o Xerife, o Riso divertindo-se, correndo uns atrás dos outros, indo ao encontro do Zeca, no céu dos cachorros. Aliás, ocorre-me, agora, que o céu dos cachorros deve ser muito, mas muito mais divertido que o céu dos homens!




domingo, 9 de dezembro de 2012

Movimiento social del cuerpo - 12/12/12

No dia 12 de dezembro próximo, acontecerá a abertura da instalação Movimiento social del cuerpo, que resultou do trabalho do artista visual Romeo Gongora junto a estudantes e artistas ligados à FAV/UFG e artistas convidados, em laboratório desenvolvido nos meses de novembro a dezembro.
A exposição será no Museu de Arte de Goiânia, no Bosque dos Buritis.
Data: 12/12
Horário: 20h
Local: Museu de Arte de Goiânia, Bosque dos Buritis
Encontro vocês lá!






sábado, 8 de dezembro de 2012

Colóquio sobre Pesquisa em Arte e Cultura Visual - dia 12/12

Dia 12/12 está chegando!
Vamos conversar sobre pesquisa na Graduação e na Pós-Graduação
Conversa entre gente curiosa, que pergunta sobre coisas que quer aprender, e compartilha as perguntas, na ação solidária para construir caminhos de conhecer.






sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Cacilda, a bicicleta


Quando criança, não tive bicicleta. Subi em árvore, andei descalço pelo mato, encardi os pés, andei a cavalo, tirei leite de vaca. Mas não andei de bicicleta.

Já tinha uns 28 anos de idade, quando resolvi que queria embarcar nessa nova aventura. O namorado era atleta, e se animou em assumir o papel de meu professor para assuntos de andar de bicicleta. Comprei meu camelo (em Brasília, bicicletas também podem ser chamadas de camelo), e nos finais de semana brincávamos, durante horas, no estacionamento da universidade, passando pelas várias etapas da aprendizagem. Inicialmente, eu pedalava, e ele seguia atrás de mim, segurando o banco da bicicleta. Até o momento em que ele me deixou seguir, sem que eu percebesse. Quando notei o desamparo, desequilibrei, mas não cheguei a cair. Fui ganhando confiança. A dificuldade maior estava no arranque. Depois de pegar alguma velocidade, por menor que fosse, tudo ficava mais fácil.

Foi então que descobri o segredo: a velocidade me ajudava no equilíbrio. Gostei da ideia. No estacionamento, havia uma ladeira não muito severa. Embiquei a bicicleta na descida, e pedalei. Ela ganhou velocidade, e senti a delícia do vento no rosto. Vibrei. A bicicleta ficou leve, equilibrada. O veículo dos meus sonhos. Mas não tive muito tempo para perceber que deveria fazer uma curva ao final, pois o estacionamento acabava. Acabou. A bicicleta bateu no meio fio, alçando-me para fora dela. Estabaquei-me no chão. Fiquei lá, estirada no gramado, entre rindo e queixando-me dos esfolados. Ao meu lado, também esfolada, arriada, a bicicleta, que a partir daquele dia passou a se chamar Cacilda.

Cacilda foi uma companheira e tanto em muitos passeios pela cidade. O tempo passou, o namorado passou, e, aos poucos, deixei de andar de bicicleta. Qualquer dia desses, vou verificar o que há de verdade na máxima que diz que se a gente aprende a andar de bicicleta, não esquece mais.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

para se reencontrar é preciso, antes, ter se perdido...



Há anos, na falta do que fazer, seguíamos para Goiânia, e brincávamos de nos perder em suas ruas. A parte mais divertida era observar as orientações sobre como chegar a algum lugar, quando saíamos perguntando sobre endereços e localizações às pessoas que encontrávamos em postos de gasolina, lojas, lanchonetes. Aventura radical, mesmo, era contratar algum moto táxi para nos guiar até os endereços pretendidos.

Hoje, precisei de orientação para chegar a uma escola. Sabia que estava muito perto dela, mas não conseguia encontrar. Numa padaria, pedi ajuda à funcionária. Antes que ela me respondesse, ocorreu-me à memória o gesto recorrente, familiar, de quem, generosamente, se dispunha a explicar, no tempo em que brincávamos do nos perder por estas paragens. Sorri com alegria, enquanto ela repetia o tal gesto: "você volta prá lá (prá lá é uma direção incerta sinalizada com um gesto mais amplo do que o necessário...), quando chegar na pista de mão dupla, vira prá esquerda" e apontava para a direita com a mão esquerda. A moça, ao lado, discordou dela: "nããão, quando ela chegar na pista de mão dupla, ela tem que virar para a direita!", e com a mão direita apontava para a esquerda. E completava a explicação: "Depois ela entra prá direita, e já dá na escola".

Senti saudades da época quando eu tinha tempo para me perder e me encontrar na cidade. Agradeci, sinceramente, as duas moças. Não exatamente pela explicação, mas por sua disposição para ajudar, e pela alegria que senti na (des)orientação por elas promovida. Principalmente, pelo seu modo de ser e estar no mundo. Despedi-me, agindo como se tivesse compreendido tudo. De fato, entendi que precisava voltar à pista de mão dupla. Dali seguiria meu instinto. Deu certo. Como sempre dera antes: em seguida, cheguei à escola.

A propósito, eu buscava pela Escola Estadual Jornalista Luiz Gonzaga Contart. A quem eu perguntasse, citando o nome completo da escola, respondia franzindo o rosto, e devolvendo a pergunta: "... que escola?" Quando eu repetia o nome, revelava-se o modo como os moradores identificavam o lugar procurado por mim: "Ah, a senhora tá procurando a escola do jornalista! ah, é ali adiante: passe, deixa eu ver, uma, duas, três, quatro ruas, entra à direita, depois à esquerda, aí passa, deixa eu ver, depois... " e eu já tinha me perdido. Foi assim que cheguei à padaria... Sim, para só depois encontrar a escola do jornalista.



domingo, 2 de dezembro de 2012

O Universo não é uma ideia minha



O Universo não é uma ideia minha.
A minha ideia do Universo é que é uma ideia minha.
A noite não anoitece pelos meus olhos,
A minha ideia de noite é que anoitece por meus olhos.
Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos
A noite anoitece concretamente
E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso

Fernando Pessoa



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

conversas de vestiário


Eu já estava quase pronta para sair do vestiário.

Ela, meio sem jeito: queria lhe fazer uma pergunta.
Eu: sim?
Ela: como eu faço para fazer uma disciplina de mestrado como aluna especial?
Eu pensei: ufa! Eu falei: depende do Programa. Cada um adota uma sistemática para aluno especial. Você deve procurar o Programa que lhe interessa, e fazer a consulta.
Ela: é que eu não sou daqui, não conheço como funciona...
Eu: qual o curso que você quer?
Ela: enfermagem
Eu: então você deve ir até a secretaria do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, e perguntar a eles como funciona para ingressar como aluno especial, quando é a inscrição, etc.
Ela: eu queria mesmo era fazer a seleção para aluno regular. As inscrições são agora...
Eu: e por que não faz?
Ela: porque é muito difícil. A prova de inglês é a mais difícil...
Eu: deveria fazer, para ver como é. No máximo, você é aprovada...
Ela: é que é difícil...
Eu: como dizem meus alunos, o não você já tem, e ainda corre o risco de conseguir aprovação. Corra o risco.
Ela: mas eu queria era fazer primeiro como aluno especial.
Eu: você já foi até lá? Já fez a consulta?
Ela: não... eu mandei um e-mail para uma professora, mas ela não respondeu... faz tempo...
Eu: ... porque o que você tem a fazer é ir lá, conversar na secretaria do Programa...
Ela: mas eu quero é fazer a seleção para aluno regular. Mas meu inglês não dá. Eu vi a prova de uma seleção anterior, é muito difícil! Preciso estudar mais.
Eu: boa sorte.

Desejei bom fim de semana aos demais que estavam ali, tomando banho, penteando os cabelos molhados, passando cremes, calçando sapatos. Trouxe, na minha bagagem, a clara impressão de que ela, de fato, não queria a informação, menos ainda algum conselho meu. Talvez quisesse me informar de seu interesse. Talvez quisesse apenas conversar...



terça-feira, 27 de novembro de 2012

visitante noturna indesejada


Já ia adiantada a noite. Eu tinha espalhado documentos, textos, livros, no chão, tentando inventar alguma organização para eles, enquanto buscava uns trabalhos perdidos no caos. Estava cansada daquilo, com sono, pronta a abandonar a empreitada para descansar. Então avistei um inseto grande voando em torno da lâmpada. Pensei que fosse uma mariposa. Por um instante fiquei ali, olhando seu trajeto aéreo, fazendo um círculo. O que estaria fazendo ali, aquela mariposa, àquelas horas da noite?

As mariposa quando chega o frio
Fica dando vorta em vorta da lâmpida pra si isquentá
Elas roda, roda, roda e dispois se senta
Em cima do prato da lâmpida prá descansá.


As mariposa, de Adoniran Barbosa.

Lembrei da palestra do Gilberto Prado falando sobre o projeto de arte e tecnologia do seu grupo de pesquisa, intitulado Desluz, cujo aparato trabalha com ondas infravermelhas, invisíveis aos olhos humanos, mas perceptíveis, por exemplo, para as mariposas.

Foi então que saí do breve encantamento, e dei-me conta de que não se tratava de uma mariposa, mas de uma barata voadora enorme, que pousou, de leve, um pouco acima da estante de livros, bem agarrada à parede, perto do teto. Senti-me indignada com a invasão. Entrara pela janela aberta, trazida pela lufada da brisa no calor noturno. Fechei a porta que dava acesso à parte íntima da casa. Procurei algum veneno para insetos, mas não encontrei. Anotei na lista de compras para a próxima ida ao supermercado. Peguei uma vassoura, um pé de chinelo, e uma embalagem para esborrifar álcool com cânfora (caso ela se encantonasse, poderia irritá-la, para sair a alguma área mais aberta). E fiquei ali, olhando fixamente para ela. E ela para mim. (No dia seguinte, ouvi da Alzira: ainda bem que ela não tinha nenhum spray para espirrar em você...).

Ficamos ali, paradas, na espreita uma da outra. Eu sabia que, ao menor movimento meu, ela desapareceria entre as milhares de páginas e folhas de papel bem ao alcance de suas patas ágeis. Enquanto permanecia ali, imóvel, lembrei-me de um artigo que li há algum tempo, no qual pesquisadores referiam a natureza sociável das baratas. Elas não saberiam viver isoladas, afirmavam, além do que teriam um sentido familiar muito forte. Além de demonstrarem grande sensibilidade ao ambiente. Quase senti simpatia por ela. Pensei, também, que, na próxima hecatombe, quando vier a última explosão nuclear capaz de eliminar a vida humana da face do planeta, restarão as baratas: elas! Talvez por isso eu experimente tamanha irritação quando de suas visitas indesejadas. Sobretudo quando a visita acontece em meio à noite, hora de meu descanso.

Olhei o relógio na parede. Já beirava a uma hora da manhã. E eu ali, parada, olhando para a barata que me vigiava também. Até quando eu ficaria ali? Decidi partir para o ataque, certa de que fracassaria. Mas resolvi arriscar as migalhas de chances que tinha de acertar uma vassourada nela, acima das prateleiras, rente aos livros e papéis e porta-retratos e outras quinquilharias. Nem esbocei o golpe, e ela deslizou para trás de tudo aquilo. Esborrifei o álcool com cânfora. Ela saiu de trás, fazendo uma meia lua, e desapareceu mais adiante da prateleira.

Desisti. Vedei o vão inferior da porta. Recolhi-me ao quarto, com alguma esperança de que ela não adentrasse ali. Precisava dormir. Amanhã compro veneno, pensei. 


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Lições do Mestre Ignorante

Este é o primeiro princípio do Ensino Universal: é preciso aprender qualquer coisa e a isso relacionar o resto. Para começar, é preciso aprender qualquer coisa.

Eis tudo o que está em Calipso: a potência da inteligência, que está presente em toda manifestação humana. Há desigualdade nas manifestações da inteligência, (...) mas não há hierarquia de capacidade intelectual. É a tomada de consciência dessa igualdade de natureza que se chama emancipação.

Pois se trata de ousar se aventurar.

O mestre ignorante fará menos e mais, ao mesmo tempo. Ele não verificará o que o aluno descobriu, verificará se ele buscou.

A ponte é passagem, mas também é a distância mantida.

Toda a prática do Ensino Universal se resume na questão: o que pensas disso?

O que embrutece o povo não é a falta de instrução, mas a crença na inferioridade de sua inteligência.

Tudo está em tudo. A tautologia da potência é também a da igualdade, que busca o dedo da inteligência em toda obra de homem.


Anotações do livro O mestre ignorante,
 capítulo A lição do ignorante, de Jacques Rancière.



sábado, 24 de novembro de 2012

canto do urutau


conta, minha mãe, como canta o urutau:

urutau, morreu teu pai
aaai, aaai, aaai, aaai

urutau, morreu tua mãe
ãããe, ãããe, ãããe, ãããe

urutau, morreu teu avô
ôôôô, ôôôô, ôôôô, ôôôô  

assim ele segue seu lamento.

fronteira






sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Que somos nós?

                                                                                      (Fernando Pessoa)

Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na 
                                                                            noite,
Cada um a vida das linhas das vigias iluminadas
E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro
                                                                     e mais nada.
Navios que se afastam ponteados de luz na treva,
Cada um indeciso diminuindo para cada lado do negro
Tudo mais é a noite calada e o frio que sobe do mar.

                                                                                  Poesia completa de Álvaro de Campos              




quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Como vai, compadre?



O compadre chegou, de visita, e a comadre, minha amiga, lhe perguntou se estava tudo bem. Quem sim, ele respondeu, e seguiram conversando. Lá pelas tantas, ela retomou o assunto de querer saber se ele estava bem, e ouviu, novamente, a afirmativa. Na terceira vez que ela interpelou, insistindo na história de saber como andava o compadre, ele tomou uma decisão: - “Comadre, pois se eu lhe digo que estou bem, é porque não quero lhe ocupar com meus problemas. Mas, se a senhora insiste em perguntar, eu vou lhe responder que não estou bem, e vou lhe explicar porque não estou bem, e a senhora vai ter que me ouvir até o final, sem reclamar! Por isso eu acho melhor a senhora não me perguntar mais!

A comadre desconversou. E tudo continuou como se tudo estivesse bem.




sexta-feira, 16 de novembro de 2012

a tal pós-modernidade...

Foi numa aula de metodologia de pesquisa, na pós-graduação.

Eu havia conversado com os estudantes sobre a necessidade de contextualização dos conceitos com os quais trabalhemos. Observava que nenhuma categoria conceitual é neutra, ou espontânea, tampouco ingênua: sempre está em jogo uma tomada de posição, uma escolha, uma demarcação de campo a partir de certo ponto de vista.

Logo, tentava alertá-los, quando adotassem certas referências, soubessem ser necessário apresentá-las, argumentar sua escolha, situá-las, defender sua posição.

E exemplifiquei com o termo tão em moda: pós-modernidade. O uso corrente, no senso comum, faz parecer, quase sempre, que seja um termo consensual, em relação ao qual nada mais haja a ser discutido: está dado. O que é um equívoco. Naquele caso, não cobraria deles que adentrassem as searas das discussões relativas à pós-modernidade, hiper-modernidade, modernidade tardia, ou mesmo às questões postas por alguns autores a respeito da própria categoria de modernidade (o que, para muitos, é discussão inglória e infrutífera...). Mas defendi que, se tomassem o partido da pós-modernidade, o fizessem cientes de que, por trás dela, havia tensões e dissensões.

Notei que haviam ficado preocupados. No decorrer dos dias, comecei a receber os trabalhos finais da disciplina. Entre eles, encontrei a pérola: um dos estudantes, apoiado sempre na ideia de pós-modernidade, encontrou um modo mais fácil de se livrar da discussão, referindo-se, sempre, da seguinte maneira: "... a tal pós-modernidade". Ou seja, se havia tensões e dissensões relativas àquela categoria conceitual, ele não tinha responsabilidades com isso... 

Uma solução quase pós-moderna...


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

sábado, 10 de novembro de 2012

Uma das aventuras do Grupo de Teatro Ato Te Ato



Para meu querido Renato Cirino,
 que também tem história para contar,
e para todos quantos não tenham desistido de sonhar.

Em 1985, assumi o cargo de professor de artes numa escola da rede pública, na cidade satélite de Planaltina, distante um pouco mais que 50 km do Plano Piloto, no Distrito Federal. No início do ano seguinte, aluguei uma casa naquela cidade, e passei a morar na área mais antiga, onde ainda predominavam as construções de adobe. Preocupava-me em não me distanciar da efervescência do Plano Piloto, e impus-me a condição de jamais usar a distância como desculpa para não participar do quer que fosse: integrar elencos de espetáculo teatral, fazer aulas de dança, visitar exposições, acompanhar a programação nas salas de cinema.

No final de 1986, montei um grupo de teatro, o Ato Te Ato, formado por alunos do ensino médio. Era formado por cerca de 12 adolescentes, entre 14 e 17 anos. Muitas vezes, depois de dar aula o dia todo, no final da tarde me encontrava com o grupo para ensaiar, e depois seguia para o Plano Piloto para trabalhar com o grupo de teatro onde atuava como atriz, retornando a Planaltina já na madrugada, cochilando nos bancos dos ônibus urbanos, em viagens intermináveis.

Foi com esse grupo e num desses ônibus que sucedeu o episódio que relato aqui.

Em 1987, o Grupo de Teatro Ato Te Ato fez temporada num teatro no Plano Piloto, apresentando o espetáculo Estórias da Carochinha, com sucesso de público. O texto era debochado, bem ao espírito adolescente, desafiando personagens clássicas das histórias infantis, com referências políticas quase ingênuas, e críticas às relações de poder. Hoje, isso é muito comum. Mas nos anos 80, vivíamos ainda os estertores da ditadura militar, num cenário em ebulição. Naquele momento, nos valíamos das liberdades adolescentes para assinar as brincadeiras que, apesar de tudo, tiveram que ser submetidas à censura federal, com cortes no texto.

Depois da temporada oficial, fomos convidados a fazer uma apresentação na Sala Alberto Nepomuceno do Teatro Nacional, dentro da programação oficial pelo dia das crianças. Não tínhamos condução própria, de modo que os ônibus urbanos eram nosso transporte principal. Sempre dependíamos de carona para transportar a parte mais pesada do material de cena. Para aquela ocasião, acabamos tendo que levar só algumas peças indispensáveis no espetáculo, transportadas de ônibus: um dos meninos vestiu a grande chaleira, e saiu pelas ruas, divertindo-se com os passantes. Uma janela com flores foi levada por duas meninas, e os demais levávamos sacolas recheadas com figurinos e outros objetos menores.

Depois do espetáculo, com casa cheia, embarcamos novamente no ônibus, de volta para casa, cansados. A noite seguia, avançada. Acomodamo-nos no fundo do veículo, com chaleira, janela, flores, sacolas, e elenco de adolescentes ainda maquiados. Felizes, sacudindo sentados sobre o motor, comentávamos as cenas, os erros, as graças.

Subindo a serra, o velho ônibus, superlotado, quebrou, um pouco antes de Sobradinho. Tivemos que aguardar, na beira da estrada escura, pelo outro ônibus que nos viria resgatar. Preocupada, tentava manter os jovens atores e atrizes junto de mim. Muito tempo depois retomamos a viagem, mal acomodados no outro veículo. Não demorou, contudo, para que uma senhora desse o alarme: “Motorista, roubaram minha carteira!”. Instalou-se um falatório entre os passageiros, apinhados, agitados, cansados. Algum salafrário aproveitara-se da confusão para fazer o roubo. Ou então, ela própria teria perdido a carteira, entre descer e embarcar no ônibus, sem se dar conta. O fato é que se apresentava mais um atrapalho ao nosso maior desejo: chegar em casa! O motorista não se deu por rogado: “Ninguém desce, ninguém sobe neste ônibus! Vamos direto para a delegacia!”.

Passava já da uma hora da manhã, quando seguimos, a pé, da delegacia, o grupo de aventureiros do teatro, deixando cada qual em sua casa, até chegar, sozinha, à minha própria. O corpo, de tão cansado, não conseguia entregar-se ao sono. Alentei-me com a constatação de que chegava o final da semana, quando teria tempo para recuperar o fôlego, e quem sabe dispor-me a novos enredos de ação.

Alguém aí tem alguma história para contar também?