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segunda-feira, 15 de junho de 2015

quando um trabalho vai ao encontro do outro


Já foi relatado aqui. Depois de muito tempo sem notícias, reencontramos Seu José Zagati. Desde então, com alguma regularidade, temos conversado ao telefone. Sua saúde não está bem. Há poucas semanas foi submetido a uma cirurgia muito agressiva, que durou 12h. Está se recuperando, na casa da filha.

Ontem, enquanto conversávamos, ele se manifestou em relação ao meu livro que tem alguns capítulos dedicados ao seu trabalho com cinema, e ao desfeito Mini Cine Tupi, em Taboão da Serra. Confesso que estava ansiosa por ouvi-lo, depois de, finalmente, ter conseguido lhe enviar o exemplar.

Contou-me que ficou impressionado com tudo que escrevi sobre o Brazza e os outros cineastas (Seu Manoelzinho e Seu Simião Martiniano). Mas, principalmente, disse ter ficado emocionado com o que eu escrevi sobre ele. Estava ali, tudo, tudo, conforme me contara nas entrevistas, nas quantas vezes quando estivemos juntos. Desse modo, chancelou minha escrita sobre ele. 

Ao final de seu parecer, proferiu a sentença que ainda está reverberando em mim, como um prêmio, mas também iluminando o modo como tenho desenvolvido o trabalho de campo, nas relações de aprendizagem que tenho tido o privilégio de estabelecer com pessoas tão especiais, agentes de cultura, atuantes em seus tempos e contextos:

"Professora, como o meu trabalho se encaixou com o seu trabalho, não é? O meu trabalho e o seu se encontraram direitinho!"

É, meu senhor, parece que esse caminho tem um coração...






domingo, 14 de abril de 2013

Sobre o desfazimento de um sonho: acabou-se o Mini cine Tupi


Tristeza

Desde meados do ano passado, tenho tentado falar com Seu Zagati, ao telefone, sem sucesso. A chamada para o número por meio do qual eu, usualmente, conversava com ele, não completava.

O que teria acontecido? Cheguei a imaginar que, ante as dificuldades financeiras, ele não tivesse pago a conta, e a linha fora cortada.

Passou o Natal, o Ano Novo, sem contato com nosso querido amigo.

Hoje lembrei-me de buscar pela jornalista Cristina Aguilera, em Taboão da Serra, pessoa a quem ele sempre se referia com carinho e respeito, e cujo telefone ele me informara em nossos primeiros contatos.

Ela contou-me, então, com a voz embargada, a notícia do desfazimento do sonho. A esperança no projeto humano acaba de diminuir um pouco mais.

Seu José Zagati, que ganhou visibilidade até na mídia internacional, e o título de cidadão taboaense, não contava com apoio local nenhum para seu projeto. A dificuldade era tamanha, que chegou às raias de passar fome. Perdeu, também, o apoio da família. Dona Magdalena, a esposa, que já não gostava muito da história do cineminha, acirrou o confronto com o projeto de sonho do marido. Desgostoso, Seu José Zagati separou-se dela, vendeu a casa, onde ficava a sede do cinema, a preço de banana, deu-lhe a metade para que ela pudesse retornar para o Nordeste, e sumiu, deixando o sonho para trás.

Parece que seguiu para Santos. Talvez esteja vivendo de vender sabe-se lá o que na praia.

Cristina Aguilera conta que sequer dela ele se despediu. Talvez na certeza de que ela tentaria demovê-lo da ideia de ir-se embora.

Quem pode me ajudar a reencontrar o Sr. José Zagati?