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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

goianidades


Dentro do avião, comecei a sentir frio. Embora vestisse blusa com mangas, e um echarpe leve, que costuma me abrigar de brisas mais frescas, tinha a impressão de que a atmosfera gélida se enfiava pelos ossos adentro, causando mal estar. 

Estariam os demais também passando pelo mesmo desconforto? Ao meu lado, um rapaz em mangas de camisa esfregava as mãos para aquecê-las, e mais adiante uma moça observava a paisagem com os braços cruzados. Também sentiam frio.

Pouco antes de aterrizar, o piloto deu informações sobre o voo e sobre o clima. Nos aguardava uma cidade que, às 20h30min, marcava 28ºC. 

À porta do avião, senti a lufada do ar quente, que aqueceu a pele fria, num alívio. Logo atrás de mim, uma moça bonita abriu um sorriso: "- Podemos arregaçar as mangas do casaco: chegamos em casa! Chega de passar frio!" Ri-me com ela.

Tínhamos chegado em casa! Bem chegados ao tempo acalorado de Primavera. Em casa!


sábado, 22 de setembro de 2012

Depois da chuva, o sabiá




Primeiro, veio a estiagem, longa, combinada com um calor quase insuportável.
Andávamos todos, ou queixosos, ou prudentemente silenciosos, economizando energia, observando os ventos, atentos aos primeiros sinais de uma possível aproximação das chuvas.
Então caíram os primeiros chuviscos. Poucos. Ligeiros. O que parecia ser alívio, logo findava, intensificando o calor com os vapores em que as pequenas gotas se transformavam.
Mas, naquela tarde, choveu mais, por mais tempo. Pequenos veios de água chegaram a serpentear na vidraça da janela. Ao final, a calçada e a grama guardavam poças de água, e o cheiro de umidade espalhava-se na tarde quase fresca.
Então ele veio. Pequenino, pousou sobre a viga, e cantou. Cantou forte e longamente. Seu trinado tomou a tarde, enquanto a luz ganhava um tom doce, mais amarelo, e lufadas de brisa fresca e úmida acalmavam os espíritos.



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

um gole de água gelada

... para quem, porventura, ache que ando atenta só aos quero-queros...




... cada um bebe água na fonte de onde ela brote. Se for geladinha, então, muito melhor!



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

um gole de água



O casal de quero-queros iniciou o choco de uma nova ninhada. Ali, acomodados entre a grama seca e rala, sobre a terra ressecada, calcinada, alternam-se nos cuidados com os ovos. No meio da manhã, o sol já escaldante, a ave aninhada mantinha o bico entreaberto e as asas desarticuladas ao lado do corpo, com as penas em desalinho. Dei-me conta, então, que eles poderiam estar em dificuldades para conseguir beber água. Afinal, não deixam a área onde está o ninho, e ali não há torneiras, plantas que sejam regadas, ou algo semelhante. No dia seguinte, levei uma vasilha de cor verde, acomodei junto ao poste, nas proximidades do ninho, e enchi com água fresca. É claro que, em pouco tempo, o frescor já se perderia, e a água estaria entre morna e quente. A ave aninhada ficou muito irritada comigo, fez um escândalo. As corujas saíram da toca aos gritos, apesar do calor, e o outro quero-quero fez voos rasantes, ameaçando-me. Cheguei a pensar que talvez eles rejeitassem a água. Mas valia a pena tentar. No dia seguinte, pelo meio da manhã, fui observá-los de longe. Cheguei bem à hora de uma troca de plantão entre o casal. A ave que estava aninhada levantou-se, agitou as asas, sacudiu-se. Enquanto a outra se ajeitava no ninho, encaminhou-se rapidamente até a vasilha, e bebericou um pouco da água. Ficou por ali. Bebeu mais um pouco. Só então seguiu para a sombra de um arbusto próximo. Alegrei-me com a aprovação da minha oferta a eles. Mais tarde, no horário do meio dia, voltei para colocar mais água, antes de sair para o final de semana. A ave no plantão irritou-se, como esperado. Mas o calor era tão grande, que ela sequer levantou-se. Ao contrário, achatou-se rente ao chão, como única reação possível.

Pensei que talvez já não consiga me queixar do clima sem me lembrar dos dois na empreitada de cuidar da ninhada de ovos, numa situação extrema de calor e seca.


Goiânia em 5 tempos







a chuva, um dia ela vai voltar, assim, intensa, derramando-se do céu...







segunda-feira, 20 de setembro de 2010

devoradores de cabeças de cigarras



Setembro avança. Já era tempo das cigarras estarem cantando a plenos pulmões. Para desespero de parte da população de pessoas, e encantamento da outra parte. Mas elas não estão cantando, apesar de haver cascas das larvas nos troncos das árvores...
Acontece que alguns pássaros andam caçando as cigarras tão logo elas saem do casulo, e lhe devoram a cabeça. São predarores que passam boa parte do seu tempo entre a grama, perfazendo pequenos vôos, às copas das árvores vizinhas.
Por isso as chuvas tardam... Quem chamará as chuvas?