domingo, 23 de outubro de 2016

domingo, 16 de outubro de 2016

Entre taxistas e motoristas da Uber


Quando o ônibus entrou na cidade, vários passageiros começaram a acionar, por meio de seus smartphones ou iphones, motoristas da plataforma Uber para, quando desembarcados, seguirem para casa.

Trata-se de uma mudança no comportamento de passageiros, que migram do tradicional serviço prestado pelas redes de táxi para o inaugural sistema Uber, mais barato para o consumidor, mais ágil, atrelado às plataformas digitais acionadas pelos aparatos móveis.

Conheço alguns taxistas que estão já se organizando, também, para migrar. Depois de muito pesarem os prós e os contras, concluíram que, feitas todas as contas, os riscos são os mesmos, e talvez os prejuízos sejam menores. O que muda é o valor, na ponta, pago pelo passageiro.

No serviço prestado pelas cooperativas de táxi, entre o passageiro e o taxista, vários são intermediários envolvidos. Comecemos pela equipe da base, que atende aos telefonemas dos clientes e encaminha o taxista ao endereço indicado. Esses funcionários recebem salário fixo mensal, com carteira assinada, todos os benefícios previstos pela CLT. Seu trabalho não envolve riscos. Muitas vezes, esses funcionários atendem mal aos clientes, negam informação, fazem encaminhamentos errados, mas não recai sobre eles qualquer sanção. Contudo, eles têm autoridade para “castigar” os motoristas, caso estes cometam algum erro no atendimento às corridas solicitadas. Vale ressaltar que o seu salário é pago pelas corridas dos motoristas de táxi.

Há os proprietários das frotas de veículos, que cobram diária pelo uso dos automóveis. O pagamento da diária é pago pelo taxista, contratualmente, não importando se ele rode ou não, se consiga fazer corridas ou não. O taxista paga, também, o aluguel da permissão do taxi. Este pagamento, do mesmo modo, independe de seu desempenho na praça.

De todos estes itens a pagar, se sobrar algum trocado, o taxista leva para casa, ao final do dia. Uma coisa é certa: diariamente, ele começa a jornada como devedor, e se dá por feliz se chegar ao final do seu turno com essas dívidas quitadas. No entanto, todo o sistema só gira a partir de sua força de trabalho, e dos riscos que esse profissional corre, atuando na ponta, na frente. O valor da corrida, pago pelo passageiro, vaza pelos dedos, para ser redistribuído entre o dono do carro, o dono da permissão, o presidente da cooperativa e os funcionários da base.

O diferencial proposto pelo sistema Uber é que essa relação é mais direta: o motorista se cadastra, recebe algumas orientações, e passa a constar entre os que podem prestar os serviços a partir do aplicativo para aparelho móvel. Também não tem quaisquer garantias. Está sozinho, circulando na cidade, com seu próprio carro, por sua conta e risco. Sim, ele tem que disponibilizar seu próprio veículo e arcar com os custos de manutenção. O percentual de cada corrida que paga à empresa lhe assegura apenas o direito de aparecer na plataforma do aplicativo, nada mais. Talvez haja menos intermediários. Isso resulta num valor menor a ser pago pelo passageiro. E também numa dívida menor a ser quitada, diariamente, pelo motorista. Se ele corre, paga, se não corre, não paga.

A plataforma do sistema Uber está no começo. Não nos entusiasmemos por antecipação. Ainda há espaço para entrarem as intermediações. Nada impede, por exemplo, que, com a crise chegando à plataforma do serviço de táxis, os donos de frotas migrem para a Uber também. Há já anúncios de aumento nas tarifas.

Vale lembrar que, quando a GOL começou a operar no ramo da aviação aérea para passageiros, trouxe uma série de inovações que baratearam as passagens de modo importante. Mas não demorou para que os valores equalizassem novamente, e atualmente seus preços estão no mesmo patamar das demais empresas à época de sua entrada no mercado.

Enquanto isso, por vezes, vou de Uber, no mais das vezes, ainda vou de táxi...




domingo, 2 de outubro de 2016

"A humanidade está sentada em um trono de sangue e dor".


A humanidade está sentada em um trono de sangue e dor. A verdadeira história nunca pode ser conhecida a fundo porque sempre há muitas mãos manipulando, escondendo, torcendo os fatos e, principalmente, os rastros que os acontecimentos deixam.

(Pedro Juan Gutiérrez. Fabián e o caos. Ed. Alfaguara, 2016. p. 46)







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