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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Esse, sim, deve ser o espírito de Natal!

Porque amizade é coisa assim, para se cultivar em jardins, e guardar em recantos arejados e iluminados do coração.
Em nome das minhas queridas Maria Antônia, Diná e Cássia, abraço as pessoas queridas, com voto de que não falte afeto para fazer vibrar nossas vidas, e que sempre tenhamos um cantinho acolhedor para nos encontrarmos, para rirmos um pouco, antes de prosseguirmos nas batalhas diárias de cada um.
Minhas queridas, obrigada pelo presente que foi encontrá-las!

 Diná, minha sócia, Maria Antônia e Cássia. 

 
A menina em busca de alguma jabuticaba remanescente... hummmm, 'tava bem docinha, viu?






sábado, 10 de agosto de 2013

Minhas quatro amigas meninas

ou Um quarteto fantástico em minha vida

Para Aninha, Lílian e Christina,
 e para Julinha que hoje faz aniversário.


Sou privilegiada por ter quatro amigas que, nascidas em épocas e lugares distintos, são portadoras do mesmo brilho nos olhos, da mesma inquietude, de espíritos irmãos.

A mais menina delas é Aninha, com quatro anos. Mais menina? Pensando melhor, acho que não... na verdade, a referência à idade cronológica não terá serventia para este relato. Sobre Aninha, então, vale dizer que é magricela, tem os cabelos longos e cacheados, saltita e conversa o tempo todo. A mãe lhe pediu, numa ocasião, que ficasse sem falar um pouquinho, pois estava sentindo necessidade de silêncio. Aninha fez um esforço sincero e amoroso. Passados alguns instantes, abraçou a mãe e cochichou ao ouvido que não conseguia controlar a boca querendo falar o tempo todo...

Aninha reinventa tudo à sua volta. Se não tiver brinquedos, ela pode dançar, traçando desenhos imaginários no ar. Afinal, o mundo pode ser um brinquedo. O mundo-brinquedo-de-Aninha, aliás, o mais interessante!

Da última vez que a vi, ao despedir-se, falou-me que seu aniversário estava ainda longe, mas queria que eu prometesse ir à casa dela para comemorarmos. Senti-me abraçada por Aninha, minha amiguinha.

Julinha, minha segunda amiga querida das quatro que lembro neste texto, faz aniversário hoje. Como Aninha, tem cabelos longos e cacheados, e é tagarela e inquieta. Pensando bem, acho que também tem por volta de uns quatro anos, ao menos na energia, no brilho dos olhos, na vontade de desvendar o mundo. Essa a razão de andar por aí, empunhando uma câmera, a captar a humanidade das pessoas, os sentidos do viver. Mas é na capacidade de indignação que Julinha tem mais prática que Aninha. Os grandes olhos se enchem d’água, e a voz embargada reclama da insanidade do mundo, do desamor das pessoas, da falta de justiça. Na verdade, Aninha também sente desconfortos com isso tudo, mas não sabe ainda falar sobre o desconforto, e manifesta-se com resmungos incertos, que os adultos preferem qualificar como manhas de criança. Em Julinha, a intensidade da indignação é a mesma do seu amor e disposição para viver e transformar esse mundo. O mundo-brinquedo-de-Aninha é também o lugar de construção, de expressão, de experimentação sensível para Julinha.

Experimentação sensível, construção, estabelecimento de redes de relação: o mundo-brinquedo-de-Aninha quase chega a ser pequeno para Lilian, com seu espírito e seus olhos de quatro anos. Os cabelos..., bem, seus cabelos são longos, bastos e belos. Terão sido, algum dia, cacheados? Não importa. Lilian, minha querida amiga que integra o quarteto das meninas brinca consigo, com o Jotinha, seu cão golden retriever, e com o mundo, e estabelece relações numa teia que, ao mesmo tempo, inclui, se estende, se multiplica, replica... Com o entusiasmo partilhado de Aninha e Julinha, labirinticamente ela vai falando, contando, lembrando. A certa altura já nem sei quem sou, onde ela está, do que estamos falando! Mas sigo, junto, porque confio nela, como confio em Aninha e Julinha. Além do mais, é divertido, é sensível, é denso. E fala ao coração. Como a dança de Aninha, e as fotos-grupos-perguntas-capacidade-de-indignação de Julinha. 

Em meio a isso tudo, é com minha querida menina Christina que fecho este quarteto, compartilhando perguntas sobre o mundo, o mundo-brinquedo-de-Aninha (ou seria sobre os mundos?)... hummm... talvez sejam as representações possíveis sobre os mundos... quem sabe as perguntas devam ser sobre nossas projeções a reconfigurar o que supomos sejam os mundos articulados em representações a serem verificadas por perguntas como a que Aninha faz a todo instante: por que? Do mesmo modo que Aninha, Christina não consegue parar: as perguntas lhe brotam aos jorros, como a própria vida. Mas não se iludam: Christina pode, momentaneamente, abandonar as perguntas sem respostas, com uma cambalhota metafísica no pensamento, para cantar um refrão de rock, enquanto marca o ritmo com o corpo dançante, pronto a fazer desenhos imaginários no ar. 

Um dia nos encontraremos, as cinco, para brincar e tagarelar, assim, soltas, sem compromissos com a razão, com as normas da ABNT, ou com as regras da escola. Tenho a impressão de que podemos, sim, fazer do mundo (ao menos o nosso mundo) um lugar mais lindo de se viver.