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domingo, 11 de dezembro de 2016

a cidade é moderna



Trastevere
Milton Nascimento

A cidade é moderna
Dizia o cego a seu filho 
Os olhos cheios de terra
O bonde fora dos trilhos 
A aventura começa no coração dos navios
Pensava o filho calado
Pensava o filho ouvindo
Que a cidade é moderna
Pensava o filho sorrindo
E era surdo e era mudo
Mas que falava e ouvia

  



sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Aforismos do sertanejo universitário


Eu vou pegar um tijolo, e nesse tijolo eu vou escrever a palavra SAUDADE. Depois eu vou pegar esse tijolo e mandar na sua cara, prá você ver o quanto que a saudade dói, sua BANDIDONAAAAAAAAAA!
(João Carreiro e Capataz)

Minha criação é xucra
A verdade ninguém furta
Sou bruto, rústico e sistemático
(João Carreiro e Capataz)

Aqui do meu lado tá bagunçado, mas tem gerência.
(João Carreiro e Capataz)








terça-feira, 7 de abril de 2015

Céu azul que vem até onde os pés...





(...)
Céu azul
Que vem até
Onde os pés
Tocam a terra
E a terra inspira
E exala seus azuis
(...)

(Luz do sol. Caetano Veloso)





sábado, 21 de março de 2015

Paula e Bebeto




Paula e Bebeto (Milton Nascimento)

Vida vida que amor brincadeira, vera
Eles amaram de qualquer maneira, vera
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor vale amar

Pena que pena que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor vale amar
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor valerá

Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito
Qualquer maneira que eu cante esse canto
Qualquer maneira me vale cantar

Eles se amam de qualquer maneira, vera
Eles se amam é p'ra vida inteira, vera
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá

Pena que pena que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela

Qualquer maneira de amor valerá







sábado, 24 de maio de 2014

Tá caindo fulô!


Fulô

"Tá caindo fulô, ê, tá caindo fulô
Tá caindo fulô, ê, tá caindo fulô
Lá do céu cá na terra, ê, tá caindo fulo"

Quem ouviu o meu cantar
Um pouco me conheceu
Vou levar no coração
A fulô que tu me deu

"Tá caindo fulô, ê, tá caindo fulô
Tá caindo fulô, ê, tá caindo fulô
Lá do céu cá na terra, ê, tá caindo fulo"

E sempre que chega a hora
De partir pra outro chão
Deixo a tristeza de fora
E canto minha louvação

"Tá caindo fulô, ê, tá caindo fulô
Tá caindo fulô, ê, tá caindo fulô
Lá do céu cá na terra, ê, tá caindo fulô"

Eu não vou estar aqui
Mais nunca vou me esquecer
O calor que recebi
Dou de volta pra você

"Tá caindo fulô, ê, tá caindo fulô
Tá caindo fulô, ê, tá caindo fulô
Lá do céu cá na terra, ê, tá caindo fulô"

Vou me embora, vou me embora
Deixo aqui meu coração
Vou saindo em plena aurora
Deixando fulô no chão

"Tá caindo fulô, ê, tá caindo fulô
Tá caindo fulô, ê, tá caindo fulô
Lá do céu cá na terra, ê, tá caindo fulô"









terça-feira, 25 de março de 2014

La Maldicion De Malinche (Gabino Palomares)


Del mar los vieron llegar
mis hermanos emplumados,
eran los hombres barbados
de la profecía esperada.

Se oyó la voz del monarca
de que el Dios había llegado
y les abrimos la puerta
por temor a lo ignorado.

Iban montados en bestias
como Demonios del mal,
iban con fuego en las manos
y cubiertos de metal.

Sólo el valor de unos cuantos
les opuso resistencia
y al mirar correr la sangre
se llenaron de vergüenza.

Por que los Dioses ni comen,
ni gozan con lo robado
y cuando nos dimos cuenta
ya todo estaba acabado.

Y en ese error entregamos
la grandeza del pasado,
y en ese error nos quedamos
trescientos años de esclavos.

Se nos quedó el maleficio
de brindar al extranjero
nuestra fé, nuestra cultura,
nuestro pan, nuestro dinero.

Y les seguimos cambiando
oro por cuentas de vidrio
y damos nuestra riqueza
por sus espejos con brillo.

Hoy en pleno siglo XX
nos siguen llegando rubios
y les abrimos la casa
y los llamamos amigos.

Pero si llega cansado
un indio de andar la sierra,
lo humillamos y lo vemos
como extraño por su tierra.

Tú, hipócrita que te muestras
humilde ante el extranjero
pero te vuelves soberbio
con tus hermanos del pueblo.

Oh, Maldición de Malinche,
enfermedad del presente
¿Cuándo dejarás mi tierra
cuando harás libre a mi gente?







sábado, 6 de outubro de 2012

Ouvindo Tom Waits



Minha amiga Nana postou o link de uma música de Tom Waits na minha página. Sugestão dada e aceita. Estou rememorando músicas desse artista que transita entre várias categorias: compositor, cantor, ator (quem não viu Down by law? recomendo), performer... Algumas dessas músicas fazem parte de memórias muito caras, mobilizam afetos que se traduzem em odores, sensações táteis, atmosferas.

Lembro-me a estranheza provocada em mim na primeira vez que ouvi sua música. Num aniversário, um amigo presenteou-me com uma fita k-7, daquelas que a gente gravava uma seleção muito personalizada, e arrematava inventando uma capa, fazendo uso de colagem ou desenhando com caneta hidrocor, lápis de cor, giz de cera... Esse amigo mudou-se em seguida para endereço distante, e perdi seu contato. Na fita, não deixou qualquer referência ao artista, nomes de música, qualquer pista que pudesse me ajudar na identificação.

Em casa, acionei o toca-fitas. Aquele som deu-me a impressão de estar errado. Mas esse estar errado era justamente seu modo de estar certo. Parecia alguma coisa que precisava estar fora do lugar para ocupar o lugar que lhe cabia. Tinha algo de animal, de instintivo. Era bruto, rústico, mas também transpirava desamparo. Talvez despertasse em mim uma dor imemorial, uma compaixão. Acho que me fazia lembrar o quão precários são os fios com que tecemos nossas vidas. Não tinha dúvidas quanto à delicadeza indecifrável daquela música que me lembrava terra, pedra, ferrugem, madeira, correnteza... Meu peito ficava apertado, não importava o teor da letra cantada. Era tomada pela mesma sensação, toda vez que ouvia a fita, perguntando-me que músico era aquele!?

Numa tarde qualquer, minha casa foi assaltada. Entre os objetos levados, estavam minhas fitas K-7. Incluindo aquela, inominada, com uma voz cujo dono ainda não tinha feições para mim. Passaram-se alguns anos, quando, na casa de outro amigo, ouvi o timbre inconfundível de uma musicalidade em turbilhão que provocava, em mim, aquela sensação inevitável. Tom Waits apresentava-se, enfim, como artista com nome, sobrenome, discografia, filmografia, gesto e olhar.

(...)
She was 15 years old
And she never seen the ocean
She climbed into a van
With the vagabond
And the last thing she said
Was "I love you mom".

And a little rain
Never hurt no one
And a little rain
Never hurt no one

(A little rain. Tom Waits)



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Tenho sede (Gilberto Gil)



Traga-me um copo d’água, tenho sede
E essa sede pode me matar
Minha garganta pede um pouco d’água
E os meus olhos pedem teu olhar

A planta pede chuva quando quer brotar
O céu logo escurece quando vai chover
Meu coração só pede o teu amor
Se não me deres, posso até morrer.
  



quinta-feira, 19 de julho de 2012

Por toda a minha vida (Tom Jobim e Vinicius de Morais)

p/ J. Bamberg,
Lorena e Renato,
Yunna e César,
Júlia e Marcelo.
Com amor.


Minha bem amada
Quero fazer de um juramento uma canção
Eu prometo, por toda a minha vida
Ser somente teu, e amar-te como nunca
Ninguém, jamais, amou ninguém
Minha bem amada
Estrela pura, aparecida
Eu te amo
E te proclamo
O meu amor, o meu amor
Maior que tudo o quanto existe
Oh, meu amor!


Por toda a minha vida, com Caetano Veloso






quarta-feira, 27 de junho de 2012

Beira Mar (Riacho de Areia)



Cantiga popular do Vale do Jequitinhonha, MG, gravada por Dércio Marques, que se foi, hoje, fazer cantorias do lado de lá. Adeus, adeus... saudades...

Beira mar, beira mar novo,
Fui só eu é que cantei
Ô Beira Mar, adeus Dona
Adeus Riacho de Areia
Adeus, adeus
Toma, adeus
Eu já vou m’embora
Eu morava no fundo d’água
E não sei quando eu voltarei
Eu sou canoeiro

Eu não moro mais aqui
Nem aqui quero morar
Ô Beira Mar, adeus Dona
Adeus Riacho de Areia
Adeus, adeus
Toma, adeus
Eu já vou m’embora
Eu morava no fundo d’água
E não sei quando eu voltarei
Eu sou canoeiro

Vou descendo rio abaixo
Numa canoa furada
Ô Beira Mar, adeus Dona
Adeus Riacho de Areia
Adeus, adeus
Toma, adeus
Eu já vou m’embora
Eu morava no fundo d’água
E não sei quando eu voltarei
Eu sou canoeiro

Rio abaixo, rio acima
Tudo isso já andei
Ô Beira Mar, adeus Dona
Adeus Riacho de Areia
Adeus, adeus
Toma, adeus
Eu já vou m’embora
Eu morava no fundo d’água
E não sei quando eu voltarei
Eu sou canoeiro

Procurando amor de longe
Que de perto já deixei
Ô Beira Mar, adeus Dona
Adeus Riacho de Areia
Adeus, adeus
Toma, adeus
Eu já vou m’embora
Eu morava no fundo d’água
E não sei quando eu voltarei
Eu sou canoeiro




quinta-feira, 14 de junho de 2012

luz do sol



Luz do sol que a folha traga e traduz
em verde novo, em folha, em graça,
 em vida, em força, em luz...
Caetano Veloso



sábado, 5 de maio de 2012

medo




Tenho medo (Nuno Mindelis)

Tenho medo de microondas
Tenho medo de aspartame
Tenho medo de fritura
E tenho medo de madame

Eu tenho medo da cidade
Medo da solidão
Eu tenho medo de ser duro
E medo de dizer ou não.

Tenho medo de barata
De aranha e de ladrão
Medo disso e daquilo
E medo de multidão

Eu tenho medo de mim mesmo
De você e do vizinho
Eu tenho medo de remédio
E medo de andar sozinho
Eu tenho medo
Medo

Tenho medo de automóvel
E de engarrafamento
Tenho medo de açúcar
E sair do apartamento

Tenho medo de TV
E de gordura hidrogenada
Do presidente americano
De caminhão e de fada

Tenho medo de celular
Tenho medo de avião
Tenho medo de dirigir
E de tomar a decisão

Tenho medo de ter medo
E de não ter medo também
Tenho medo de ir embora
E tenho medo de ir além

Eu tenho medo
Eu tenho, eu tenho
Eu tenho medo

Tenho medo de altura
E de ir à praia no feriado
Medo de elevador
E de tudo que é fechado

Eu tenho medo de dormir
E de ficar acordado
Medo de minha própria sombra
E da sua ao meu lado

Eu tenho medo de barata
De aranha e de ladrão
Medo disso e daquilo
E medo de multidão

Eu tenho medo de ter medo
E de não ter medo também
Eu tenho medo de ir embora
E tenho medo de ir além
Tenho medo

Eu tenho, eu tenho, eu tenho
Eu tenho medo







quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Oração ao Tempo (Caetano Veloso)


És um senhor tão bonito

Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo

Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo

Que sejais ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo

Peco-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo

O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo

E quando eu tiver as[ido
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo