literatices... letras para nada, talvez para tudo... imagens de nada, que podem ser de tudo... matutações... penseros... rabiscações... daquilo que vejo... ou não... porque tomo assento neste tempo quando a humanidade produz vertiginosamente letras, símbolos e imagens, em busca de sentidos, quaisquer que sejam... ou não...
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domingo, 3 de novembro de 2013
sábado, 2 de novembro de 2013
Tessituras no Ensino de Artes Visuais - Teias e tramas em Montes Claros
A todos quantos se deixaram ser criança,
para brincar e tramar desenhos aéreos com fios,
retalhos, cordões, gestos, risos e imaginação!
Pela manhã, o primeiro grupo se organizou, pegou os
materiais, munido das instruções e motivações, saiu para o jardim. Todos estavam
dispostos a fazer tramas entre as árvores, os gradis, e demais estruturas
arquitetônicas com que pudessem interagir.
Curiosos começaram a chegar para ver o que estava
acontecendo. Alguns professores de artes plásticas olhavam de modo enviesado. Professores
e alunos de teatro animaram-se com a novidade, e integraram o grupo, ampliando
possibilidades para a enorme teia que foi se estendendo. Os retalhos de malha e
outros tecidos, amarrados entre si, entrelaçados, flexíveis, aceitavam formas, demarcando
desenhos aéreos, pendendo do alto, deixando-se balançar com o vento, caindo ao
chão para formar mosaicos coloridos e brincantes.
Entre os que estavam imersos na teia e os que observavam desde a área externa havia uma enorme distância no tocante à experiência. De fora, parecia impossível
compreender o que acontecia ali dentro, embora estivessem a poucos metros, ou menos ainda, uns dos outros.
Na teia, todos estavam absortos, e movidos por uma
disposição lúdica, prazerosa. Uns trabalhavam mais sós. Outros, em duplas,
desenvolviam pequenos projetos que se integravam ao todo. Outros interagiam com
todos, trançando de todos os lados.
Na rampa e no estacionamento, transitavam olhares de estranhamento, outros instigados. Uns
faziam de conta que estavam participando, ali, na borda, sem se arriscar muito,
dando um e outro nó no corrimão, enquanto tentavam entender. As conversas iam se
desenrolando... “A reitoria vai pensar que é uma manifestação dos grevistas,
que amanhã farão paralisação na universidade...” “Qual a mensagem? Os trapos representam
os salários dos professores?” “Eu me identifiquei totalmente com esse trabalho!
Estou comovida! É a condição da educação no país: um lixo!”
Duas senhoras que trabalham no setor de limpeza da
faculdade chegaram à porta, para ver o movimento. Uma se assustou “Xiiiiiiiiii!” A outra,
adiantando-se na explicação, para evitar que a colega cometesse alguma gafe, cochichou “É arte!” Ficaram ali, por algum tempo, provavelmente
pensando que teriam serviço extra pela frente, para limpar aquela sujeira
toda...
À tarde, enquanto o segundo grupo dava prosseguimento à intervenção, um rapaz, que tinha observado tudo no turno da
manhã, intrigado, veio perguntar o que aquilo significava. "Qual o sentido?" Devolvi-lhe a pergunta, e ele
fez um longo discurso falando sobre a paralisação dos professores no dia
seguinte, sobre o sucateamento da universidade pública, sobre as péssimas
condições da educação, etc.
Fiquei em dúvida: seria o caso de falar sobre estética relacional, sobre instalação relacional, sobre fenomenologia?... Achei melhor não. Apenas lhe contei que aquela intervenção tinha sido agendada antes de se marcar a paralisação. Ele sorriu. Fiz-lhe, então, a provocação: “Para entender, você vai precisar entrar na teia”. Puxei-o pela mão, e fomos nos enredando pelo espaço tramado. Desvia de uma tira, de um cordão, abaixa, sobe, desvia. Paramos lá no meio. Olhamos à volta. Peguei a ponta de um retalho, e convidei: “Pode amarrar”. “Mas... assim? Posso?” “Claro! Qualquer um pode entrar aqui e tomar parte. Esse é o trabalho. Pense que o que você está vendo é uma espécie de materialização de um pouco das relações entre as pessoas que aqui estiveram, enquanto aqui estiveram... faça sua marca também!” Saí, e deixei que ele sozinho brincasse um pouco.
Fiquei em dúvida: seria o caso de falar sobre estética relacional, sobre instalação relacional, sobre fenomenologia?... Achei melhor não. Apenas lhe contei que aquela intervenção tinha sido agendada antes de se marcar a paralisação. Ele sorriu. Fiz-lhe, então, a provocação: “Para entender, você vai precisar entrar na teia”. Puxei-o pela mão, e fomos nos enredando pelo espaço tramado. Desvia de uma tira, de um cordão, abaixa, sobe, desvia. Paramos lá no meio. Olhamos à volta. Peguei a ponta de um retalho, e convidei: “Pode amarrar”. “Mas... assim? Posso?” “Claro! Qualquer um pode entrar aqui e tomar parte. Esse é o trabalho. Pense que o que você está vendo é uma espécie de materialização de um pouco das relações entre as pessoas que aqui estiveram, enquanto aqui estiveram... faça sua marca também!” Saí, e deixei que ele sozinho brincasse um pouco.
Entreti-me com os demais participantes. Até que o rapaz
me chamou, para mostrar o que fizera. Montara uma espécie de S sobre uma base
feita por outra pessoa. Disse-me que era um cifrão. Pesavam-lhe as inquietações com as questões políticas e econômicas do país, entre elas as referentes aos salários dos professores. Sorriu, meio tímido,
defendendo-se: “Não sei se as pessoas vão entender o que eu tentei fazer”. Então
pude comentar sobre o que ocorrera com a interpretação feita por ele, no primeiro momento, sobre a instalação: “As
pessoas poderão ver a partir dos repertórios de cada um, do mesmo modo que você fez quando
chegou aqui: preocupado com a paralisação, criou uma narrativa para a
instalação a partir dessa motivação. O que motivará cada pessoa, quando vir
esse S? Será que as pessoas verão um S aí?”
Sorrindo, me disse que precisava voltar para a aula. “Você
está matando aula?!” Estava. Saiu correndo, o gesto alegre.
Do outro lado do estacionamento, grupos adornavam
palmeiras, envolviam troncos com cascas ásperas, enovelavam galhos, faziam redes e tranças, e se debatiam com
abelhinhas arapuá, que insistiam em se enredar nos cabelos dos participantes...
o que não deixava de ser outra modalidade de tramas e nós...
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
ARTE RELACIONAL EM UMA POÉTICA COLABORATIVA: NÓS & NÓS
A instalação relacional intitulada NÓS & NÓS foi um desdobramento de todo o processo relatado no livro "Tramas artísticas, práticas artesanais e experiências estéticas contemporâneas".
Aberta ao público em fevereiro de 2013, na Galeria da FAV, leva a assinatura de três artistas: Alice Fátima Martins, Cleomar Rocha e Quéfren Crillanovick, e tem ganhado novas traduções em ambientes, contextos e momentos os mais diversos.
O trabalho "Arte relacional em uma poética colaborativa: NÓS & NÓS", assinado por Alice Fátima Martins e Cleomar Rocha, foi apresentado no 22 Encontro Nacional da ANPAP, em Belém. Sua versão integral está disponível online, no link que se segue abaixo, para quem interessar possa.
Ao deguste!
Aberta ao público em fevereiro de 2013, na Galeria da FAV, leva a assinatura de três artistas: Alice Fátima Martins, Cleomar Rocha e Quéfren Crillanovick, e tem ganhado novas traduções em ambientes, contextos e momentos os mais diversos.
O trabalho "Arte relacional em uma poética colaborativa: NÓS & NÓS", assinado por Alice Fátima Martins e Cleomar Rocha, foi apresentado no 22 Encontro Nacional da ANPAP, em Belém. Sua versão integral está disponível online, no link que se segue abaixo, para quem interessar possa.
Ao deguste!
domingo, 13 de outubro de 2013
organizando as meadas, revendo os Nós
Para quem não foi, nem viu:
NÓS & NÓS
Fevereiro e março/2013, na Galeria da FAV/UFG.
Alice Fátima Martins
Cleomar Rocha
Quéfren Crillanovick
No 22 Encontro da ANPAP, entre 16 e 20 de outubro de 2013, em Belém, a experiência será retomada, na apresentação do trabalho "Arte relacional em uma poética colaborativa: NÓS & NÓS", assinado por Alice Fátima Martins e Cleomar Rocha.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
aos que vão chegar
são as aranhas chegando, para habitar NÓS & NÓS
são os "meta-humanos, não é, tia?"
é NÓS todos aqui...
terça-feira, 28 de maio de 2013
Boi de maio - intervenção urbana colaborativa. Iporá/GO. Maio de 2013
Uma trupe de quatorze pessoas seguiu para Iporá, para se reunir a outra trupe com mais pessoas, dentro da programação da Universidade das Quebradas em Rede, Sessão Goiás, com ações coordenadas pelo Prof. Cleomar Rocha. Parceiros dessa ação: UFG, MediaLab/UFG, SeCult/GO, Secretaria de Cultura de Iporá, IFG/Iporá, UEG, GIRA.
No sábado à tarde, foram realizadas várias oficinas, dentre as quais, a de fotografia, coordenada pela fotógrafa Julia Mariano, acompanhada por mim, pelo Pablo de Regino e pelo Marcelo. A Lizi, fotógrafa residente em Iporá, integrou o grupo, com participação fundamental. A luz era doce sobre Iporá, quando o grupo saiu com a proposta de produzirem imagens pouco familiares de paisagens e objetos familiares aos seus olhares. Por sugestão do Prof. Cleomar, planejamos projetar as fotografias em meio à festa da cidade, a Festa de Maio, onde havia muitas barracas, e muito movimento de pessoas.
À noite, então, buscávamos um bom lugar para fazer as projeções. Quando nos deparamos com o boi de fibra de vidro, figura central na festa, disputado entre adultos e crianças que posavam ao seu lado em registros fotográficos. O boi, referência à economia da região, à cultura do lugar, de superfície branca e ampla, oferecia-se como telão, como écran aos passantes. O olho aguçado da Júlia percebeu a relação, elegendo o sítio para as projeções organizadas em duas etapas: projeções feitas pelo quadricóptero, em projeto desenvolvido pelo mestrando Pablo de Regino e pelo Prof. Cleomar Rocha, e projeções das imagens capturadas pelo grupo da Oficina de fotografia.
Assim, o Boi de Maio foi revestido por imagens que se relacionaram com o público da festa, com a cidade, com o imaginário da região. Foi vestido, e retribuiu com sua imponência, com sua âncora no lugar, num encontro denso, intenso, que nos impactou, a todos, de modo inesquecível. Em sua retribuição, integrou a atmosfera de acolhimento à trupe de Goiânia, parceiros no coletivo que assina o Boi de Maio: Cleomar, Alice, J. Bamberg, Júlia, Marcelo, Neto, Wilson, Pablo, Maria Antônia, Jordão, Veramar, Lucas, Marcelo Reis, Mário. A estes, reúnem-se os membros do GIRA, de Iporá, e todos os que integraram a Oficina de Fotografia.
Viva o Boi! Viva a Festa de Maio! Viva Nossa Senhora Auxiliadora, padroeira de Iporá! Viva o Boi de Maio!
Ao deguste!
No sábado à tarde, foram realizadas várias oficinas, dentre as quais, a de fotografia, coordenada pela fotógrafa Julia Mariano, acompanhada por mim, pelo Pablo de Regino e pelo Marcelo. A Lizi, fotógrafa residente em Iporá, integrou o grupo, com participação fundamental. A luz era doce sobre Iporá, quando o grupo saiu com a proposta de produzirem imagens pouco familiares de paisagens e objetos familiares aos seus olhares. Por sugestão do Prof. Cleomar, planejamos projetar as fotografias em meio à festa da cidade, a Festa de Maio, onde havia muitas barracas, e muito movimento de pessoas.
À noite, então, buscávamos um bom lugar para fazer as projeções. Quando nos deparamos com o boi de fibra de vidro, figura central na festa, disputado entre adultos e crianças que posavam ao seu lado em registros fotográficos. O boi, referência à economia da região, à cultura do lugar, de superfície branca e ampla, oferecia-se como telão, como écran aos passantes. O olho aguçado da Júlia percebeu a relação, elegendo o sítio para as projeções organizadas em duas etapas: projeções feitas pelo quadricóptero, em projeto desenvolvido pelo mestrando Pablo de Regino e pelo Prof. Cleomar Rocha, e projeções das imagens capturadas pelo grupo da Oficina de fotografia.
Assim, o Boi de Maio foi revestido por imagens que se relacionaram com o público da festa, com a cidade, com o imaginário da região. Foi vestido, e retribuiu com sua imponência, com sua âncora no lugar, num encontro denso, intenso, que nos impactou, a todos, de modo inesquecível. Em sua retribuição, integrou a atmosfera de acolhimento à trupe de Goiânia, parceiros no coletivo que assina o Boi de Maio: Cleomar, Alice, J. Bamberg, Júlia, Marcelo, Neto, Wilson, Pablo, Maria Antônia, Jordão, Veramar, Lucas, Marcelo Reis, Mário. A estes, reúnem-se os membros do GIRA, de Iporá, e todos os que integraram a Oficina de Fotografia.
Viva o Boi! Viva a Festa de Maio! Viva Nossa Senhora Auxiliadora, padroeira de Iporá! Viva o Boi de Maio!
Ao deguste!
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sexta-feira, 8 de março de 2013
NÓS & NÓS: instalação desmontada, objeto final, rastros...
A instalação relacional NÓS & NÓS não teria sido viável não fosse a disponibilidade do Cleomar Rocha e do Quéfren Crillanovick, parceiros queridos. Os três, juntos, começamos a sonhar, já há algum tempo. A Galeria da FAV aprovou a proposta, incorporando-a ao calendário de exposições. Pronto: com data marcada, começamos a organizar as etapas, como quem prepara uma festa. Nessa etapa, somos gratos à Ciça Fitippaldi e à caríssima Rejane - que não conheceu dificuldades para cuidar da produção, e também para abrir a galeria em vários horários, e receber os públicos. Mateus Lima incorporou-se ao grupo, que cedeu seu puf maravilhosamente aconchegante para integrar o ambiente. E os monitores da Galeria acompanharam o público, entre descobertas, sustos e sobressaltos. Quantos mais se deixaram envolver pela proposta, brincando, contando histórias - querida Glorinha Fulustreka! - amarrando, costurando, jogando... Uns com mais força, de modo intenso, outros com comedimento. Quantos chegaram com receio, mas expandiram o gesto tão logo perceberam que não haveria proibições, e o que valia era brincar, amarrar, dar nós, tramar! Agradeço, também, à Júlia Mariano, ao Renato Cirino, ao Paul Setúbal, à Dânia Soldera, que se prontificaram a ajudar, correndo riscos em alguns casos (não é, Paul?), para deixar pulsar o espírito dessa festa.
Está aí: desfeita a grande teia da aranha gigante que desceu do céu... Aí está, a instalação condensada.
sábado, 2 de março de 2013
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
NÓS & NÓS: rastros de algumas presenças
Cada um que passa por ali, não passa: fica um pouco de si, leva um pouco de lá. Ficam rastros que levam a novos laços. Aqui, alguns rastros.
do Wolney, tramando absurdos!
da Glorinha Fulustreka, que fotografou os cirandeiros da Ciranda de Fogo
da Diná, que foi, foi novamente, levou outras pessoas, e deixou marcas delicadas.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
NÓS & NÓS: fazer parte do trabalho artístico
Num trabalho como esse, a
gente sente que pode entrar na galeria, que faz parte daquilo ali. A gente
pode. Tem uma tesourinha, tem uma corda, a gente pode dar um lacinho, dar um
nó. A gente pode. Normalmente eu não me sinto a vontade numa galeria. Uma
exposição não é um lugar acolhedor. Sinto que aquele não é o meu lugar. É isso. Mas
ali, daquele jeito que está a instalação, eu posso entrar, eu participo do trabalho de arte.
(depoimento de uma participante da
instalação relacional NÓS & NÓS.
20 de fevereiro de 2013)
sábado, 16 de fevereiro de 2013
NÓS & NÓS: montagem
Tudo quase pronto para recebermos vocês entre os dias 19 de fevereiro e 5 de março!
Instalação Relacional NÓS & NÓS
Alice Fátima Martins
Cleomar Rocha
Quéfren Crillanovick
Na Galeria da FAV
UFG - Campus II Samambaia
Abertura: 19 de fevereiro às 10h
Aberta à intervenção do público: de 19 de fevereiro a 5 de março
Leve retalhos, fios, cordões, para participar. Se não tiver nada disso, não se preocupe: nós temos. Mas não deixe de participar.
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