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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Questões sobre ser e pertencer




Quando afirmo: “cortei minha mão”, algumas perguntas me assaltam: se a mão é minha, e não sou eu, quem é essa entidade à qual a mão pertence? Mais que isso, quem é essa outra entidade que provoca o corte na mão que, não sendo eu, pertence a outrem? De que lugar do corpo, ou melhor, de que lugar, que voz pronuncia a relação de posse com o corpo? Meu pé, minha perna, minha voz, meus olhos, meu coração...

Se tenho transplantado o pé, não deixo de ser eu, e o novo pé passa a integrar a lista de pertencimentos dessa entidade que continua a pronunciar: meu pé. Pergunto, então, qual o limite de transplantes é possível de se realizar para que essa entidade se reconheça como eu? Posso transplantar os pés, as pernas, os braços, os rins, o útero, o fígado, o coração, os ossos, a pele... Quanto da pele? Em que partes do corpo? Poderia ter o rosto transplantado, e o reconheceria como meu? Ou como eu?

De onde é pronunciado esse pertencimento? Do cérebro? Provavelmente não, pois também a ele me refiro como sendo meu: meu cérebro se confunde, e não consegue responder essa questão. Meu, de quem? Que metafísica é essa que descola o corpo daquilo que sou, colocando-o no lugar daquilo que me pertence?



terça-feira, 19 de junho de 2012

o Sistema Solar e o átomo…



... não consigo parar de pensar no Sistema Solar como um átomo...
de que molécula de que tecido de que organismo faríamos parte, afinal?




quinta-feira, 3 de maio de 2012

fronteiras que se desfazem: de que fronteiras estamos falando?



Para meu avô Francisco e minha avó Antônia,
 que no início do século XX viajaram durante 6 meses,
 desde o sul do país, atravessando fronteiras várias,
 para se instalar no limite entre Brasil e Paraguai.


Na segunda década do terceiro milênio da Era Cristã, no Ocidente, são recorrentes os discursos, nos circuitos intelectuais e artísticos, no âmbito das ciências e também no senso comum, que articulam defesas entusiasmadas deste como sendo o tempo quando os territórios – geográficos, culturais, e quaisquer outros – se sobrepõem, as identidades se tornam impermanentes, e as fronteiras se desfazem, esboroam-se sob o avanço das tecnologias da comunicação, o avanço dos movimentos do mercado e suas mercadorias, a ampliação e sofisticação do desejo dos consumidores, as diásporas, as migrações, os interesses de ordem econômica...

Antes que o consenso autorize o compartilhamento coletivo passivo a esse respeito, é preciso retomar algumas perguntas que antecedem a conformação de tais convicções: Que fronteiras são referidas nesses casos? Que dissolução ou esboroamento estão em curso? Do ponto de vista de quais sujeitos sociais? Atendendo a que interesses nas relações de força que não concedem tréguas em conflitos e tensões nem sempre explicitados? Quando não terá sido assim?


Cedo à tentação de imaginar a grande saga humana, desde os primeiros homens em África, rumo aos quatro cantos do mundo, inclusive às Américas (que só seriam assim chamadas muitos milênios depois de sua chegada...). Quantas fronteiras terão sido dissolvidas, esboroadas, ao longo desse decurso? E quantas outras terão sido erguidas, muitas das quais na ilusória esperança de serem definitivas, ou quem sabe apenas para assegurar a próxima etapa da caminhada.

Identidades móveis, diásporas, migrações. Nômades, ou sedentários? A humanidade teria sido, em algum momento, sedentária? O que é o nomadismo?