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terça-feira, 22 de dezembro de 2020

E então novamente é Verão. E então é Natal mais uma vez.


Na quinta feira, dei aula a manhã toda. Era a segunda aula do semestre com a turma ingressante no curso de licenciatura em artes visuais. Uma turma grande, plural, cuja interlocução me estimulava. Tínhamos um percurso a cumprir juntos, na disciplina Fundamentos da Arte na Educação.

Mas já havia uma expectativa no ar, relativa à pandemia, em curso. Ninguém tinha uma ideia do que aconteceria a seguir. Ainda não se tem. Acho que nunca se terá.

Na parte da tarde, ainda na universidade, encontrei alguns orientandos e orientandas. Conversei com uma professora que participava de um projeto comigo. Dei vários encaminhamentos que ganharam feições de preparação para o extraordinário, ainda que não fosse essa a intenção.

Maria me procurou. Tínhamos agendado uma reunião de orientação para a segunda feira seguinte. Desmarcamos, pois a universidade já tinha acenado para a suspensão das atividades a partir da semana próxima. Aguardaríamos os desdobramentos, para agendar novo encontro.

No final da tarde, saí à porta da faculdade. Avistei a cidade, ao longe, sob o sol morno daqueles que ainda eram dias de verão. Na mata, ao lado, a bicharada fazia algazarra. Despedi-me das pessoas que também cumpriam suas jornadas por ali. Alguns cachorros espreguiçavam nas calçadas. O carro saiu aos solavancos no trecho de terra que liga o edifício à rua de acesso.

Levava a expectativa a respeito do que se abateria sobre nós. Não era possível supor. Desde então, não retornei à faculdade. Alguns dias depois daquela quinta feira, teve início o Outono. Falava-se, então, que a suspensão das aulas iria até o final do primeiro semestre. Parecia muito. Mas o tempo correu mais rapidamente do que se supunha. E levou, consigo, um número cada vez mais crescente de vítimas da COVID-19. Os prazos foram se alargando progressivamente. Algumas atividades acadêmicas foram sendo retomadas, buscando-se alternativas em suas formas e dinâmicas. Outras atividades não tiveram interrupção.

E veio o inverno. A universidade acabou retomando as atividades quase que plenamente, no segundo semestre. Com as atividades remotas, o calor insuportável, a baixa umidade, as aulas da graduação foram retomadas. A turma com que eu estivera naquela quinta feira quando ainda era verão retomou as aulas, agora com outras dinâmicas. Muitas pessoas desistiram de estudar neste momento. Foram muitas as perdas. Mas também se conquistou a possibilidade de cumprir a jornada até o final, apesar das dores, com quem tenha conseguido reunir forças, energia e determinação suficientes para não desistir.

Aulas, reuniões, bancas, orientação, encontros, eventos, seminários, cursos, oficinas, eleições, tudo, tudo, tudo migrou para os ambientes digitais. Rapidamente, os écrans tomaram conta do quotidiano, numa infinidade de links, sobreposições de agendas, regras de conduta, interlocuções de toda natureza.

A Primavera nos encontrou exaustos. E continuamos exaustos até que chegamos novamente ao Verão. No segundo dia da nova estação, tomou posse a diretoria da Faculdade de Artes Visuais, para cumprir nova gestão de quatro anos. O diretor, reconduzido para o cargo, se investe de sensibilidade e coragem para essa travessia com desafios extras cujas dimensões ainda não podemos mensurar. O vice-diretor, jovem, com carreira iniciante, se lança à empreitada, evocando o espírito de colaboração, com garra e coragem.

Daqui a dois dias, será véspera de Natal. Uma semana depois se iniciará a contagem dos dias de um novo calendário, referente ao ano 2021 da era cristã. Ainda estamos em pandemia. Nossas atividades acadêmicas e escolares presenciais ainda estão em suspenso. Mas o funcionamento da universidade prossegue, a pleno vapor. Intenso.

Noutro dia, soube que aumentou o número de família das corujas buraqueiras no Campus II. Queria saber também sobre as outras famílias, dos quero-queros, dos pica-paus, das curicacas... e dos pés de jacarandá mimoso, de ipê, de flamboyant... E como andariam os macacos-prego? Os cães continuam guardando o prédio da faculdade. Ainda bem!

Nesses tempos, fortaleceram-se alguns vínculos com pessoas de outros países. Vamos nos descobrindo, aprendendo a compartilhar inquietações e sonhos. Não, não estamos sós, embora também estejamos. Penso nas e nos estudantes que iniciaram o curso duas semanas antes da suspensão das atividades presenciais. Teria ficado feliz se quem desistiu tivesse condições de permanecer, ou de voltar. Penso nos meus orientandos, nas minhas orientandas; nas professoras e nos professores parceiros; nas parcerias de pesquisa, naquelas pessoas que não abandonaram as trincheiras.

Rapidamente, nos aproximamos, no Brasil, da marca dos 200.000 mortos pela COVID-19.

Além do corolário de mortes, o Verão trouxe as chuvas, e manteve o calor. Traçamos planos para o futuro, mas já não para futuros distantes. Mesmo dos futuros próximos já não conseguimos ter mínimas certezas. Tememos. O que planejar para o próximo Outono? Que estejamos vivos, talvez. Que possamos nos reencontrar depois do próximo Inverno, quem sabe? Melhor ater os projetos na possibilidade de celebrar este dia, agora, esta luz diáfana, o frescor deste vento, as sonoridades que se dissipam no espaço... os afetos que aquecem o coração.

E então novamente é Verão! E então é Natal mais uma vez!

 

 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Das insignificâncias. Ou: Presente de Natal

p/ Néia






Já quase à hora de ir embora, ela lembrou que tinha trazido “uma coisa” para mim. E mostrou um copinho descartável de café embrulhado num pedaço de plástico branco, meio rasgado. Segurava com cuidado aquela fragilidade. Tinha vindo de ônibus, transportando aquilo. Eu olhei, sem entender do que se tratava. Ela começou a explicar que o marido tinha limpado umas lâmpadas, e ela se lembrou de mim. Aí pensou que eu poderia fotografar. Enquanto ia falando, tirou o plástico do copinho, e derramou o conteúdo sobre uma folha branca. Os insetos secos se acomodaram ali, uns por cima dos outros. Tinham morrido nos embates com as lâmpadas de sua casa. Retirados de lá por seu marido, ela os recolheu. Sob sua tutela, nenhum se quebrara, ou fora danificado. Seus olhos brilharam, me olhando, à espera da minha reação. Eu fiquei ali, com a respiração em suspenso. Não tenho dúvidas: ela bebeu água da mesma fonte que Manuel de Barros. Então ela foi me mostrando cada um, dos maiores aos mais pequeninos, quase indecifráveis. Olha a cor deste! Olha a asinha deste outro! Ela foi olhando cada um como se visse pelos meus olhos. Ela pensou que eu poderia fotografar cada um, com aquela câmera que fotografa as coisas pequenas. As insignificâncias... Mas a poesia estava era ali, no seu olhar, no seu gesto, no seu encantamento. Depois ela se riu: Olha só, o presente que eu trago para você!

Eu não poderia estar mais grata.







terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Votos de Boas Festas com sabor de algodão doce




Uma das coisas boas que se pode fazer, quando viajamos, é pedir informações mesmo quando não precisamos, tão somente para ouvir as explicações das pessoas, interagir com elas.

Assim, mesmo sabendo que estávamos no caminho certo para sair rumo à cidade onde residíamos, meu marido resolveu confirmar nosso percurso. Paramos diante de uma pequena barraca, onde um homem vestido de Papai Noel operava um equipamento para fazer algodão doce. Diante dele, e sob seu olhar, um senhor de meia idade, cliente, estava muito concentrado preparando talvez aquele que seria o seu próprio algodão doce.

Nós os cumprimentamos, e meu marido pediu a informação. O senhor, cliente do Papai Noel, voltou-se para nós, sorriu, e começou a explicar que bastava seguirmos em frente, com atenção, pois havia muita fiscalização na estrada. Então aproximou-se do carro e ofereceu-me o algodão doce que ele próprio preparara. Sigam com cuidado, e que Deus os guie. Amém, respondemos. Ele insistiu muita atenção com os radares na estrada. Esses foram os seus votos, que retribuímos, desejando Feliz Natal a ambos, o Papai Noel e o seu cliente.

A vegetação muito verde, em resposta à temporada das chuvas, alongava-se até o horizonte, para encontrar com o céu muito azul, território de nuvens brancas, como o algodão doce enrolado num palito de madeira, preso à minha mão. Não me lembro de ter comido algum algodão doce antes... sempre ouvi da minha mãe que era puro açúcar e, portanto, deveria evitar. Mas ali, avançando pela estrada, aquele em especial tinha gosto de nuvem, céu e cerrado...

Acho que prefiro os Papai Noéis que vendem algodão doce, aos que fingem deixar presentes debaixo de árvores de Natal...

A propósito, que os tempos sejam sempre renovados para todos! Boas Festas!










quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Outra árvore de Natal?!!!


cenário 
Na grande loja de departamentos, entre louças para sanitários e portas de alumínio, há muitas mudas de plantas para jardim. Samambaias, palmas, bandeiras brancas, orquídeas. Até mudas de parreiras podem ser adquiridas a preços razoáveis. Com a aproximação das festas de fim de ano, dentre as mais populares estão os pés de tuia, em tamanhos entre pequeninos e médios, com folhas oscilando entre verde escuro intenso e verde abacate.

a cena
O pai empurra o carrinho de compras, enquanto conversa com o filho com cerca de 5 anos. Observa os pés de tuia, analisa alguns, e escolhe um dos maiores, acomodando-o no carrinho. O menino pergunta: outra árvore de Natal? Ao que o pai responde: como outra? Então o pequeno explica: mas no ano passado a gente já comprou uma... agora vamos comprar outra? Pois é, explica o pai, a do ano passado já não existe mais, vamos comprar outra para este ano.

memória 
Lembrei-me da árvore de Natal da minha infância, feita com galhos secos de goiabeira, enfeitada com bolas de Natal, mas também cascas de cigarra, pequenas bromélias secas, e outros adornos que íamos inventando no decurso da vida. A árvore nunca era desmontada. Assim, era sempre Natal no canto da sala. Ela ia se modificando no mesmo passo com que nós também nos modificávamos.

obsolescências
Olhei para os pés de tuia, verdes, e pensei no destino provisório que os aguardava. A árvore que poderiam chegar a ser não se realizaria. Por algum tempo, seriam suporte para os enfeites das festas, até perecer pela falta de cuidados como água, terra adubada, luz solar. E então, descartados, seriam substituídos por outros pés de tuia, no ano seguinte, ano após ano, num tempo em que tudo, ou quase tudo, se torna obsoleto tão logo comece a existir. Inclusive as relações entre as pessoas.




terça-feira, 8 de novembro de 2016

Já vem o Natal



A Estrela de Natal, ou Flor de Natal, não deixa esquecer!
Quem precisaria de árvore de Natal, com essa florada no jardim?




segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Bolhas de sabão

p/ Ruth 

Na rodoviária, uma fila interminável para comprar passagens, três dias antes do Natal. Uma senhora, à minha frente, observa as filhas que inventam um modo de brincar enquanto o tempo não passa, e a fila não anda... A mais velha faz bolhas de sabão com um pequeno aparelhinho, provavelmente comprado numa loja de bugigangas baratas, enquanto a mais nova se diverte estourando as bolhas recém-sopradas. De modo muito sutil, a velocidade aumenta: no ritmo da mais velha produzindo as bolhas, e no gesto nervoso da mais nova em estourá-las, e rir ao fazê-lo. Por vezes, tal a sua afoiteza, ela estoura as bolhas antes de se despregarem do aparelho, nas mãos da irmã.

Passa o tempo, a brincadeira ganha certo tempero estressante. A irmã mais velha tenta ludibriar a menor, que não se cansa de estourar as bolhas. É vitoriosa. A mãe sorri. Sente-se aliviada, por vezes, quando a fila se move um pouco.

Lembro-me de quando, criança, eu brincava fazendo bolhas de sabão. Ensaboava as próprias mãos, com um pouco de água, e soprava no vão deixado pela meia curva de cada uma. Precisava saber dosar a água e o sabão. Conforme a abertura das mãos, a bola poderia ser maior, ou menor. E me emocionava quando elas se demoravam passeando sua transparência por longo percurso, até se esbarrar nalgum galho de árvore, ou tronco, ou folha, e reduzir-se a gotas de água ensaboada respingadas no chão.

Observo a menor, e penso que habitamos extremos opostos no exercício das bolhas de sabão. Eu me sentia feliz quando se prolongava sua existência frágil e delicadamente bela. Ela se realiza destruindo-as. Eu, de alguma forma, exercia o controle técnico de sua produção: quantidade de água e sabão nas mãos, o gesto para a produção da espuma, a posição das palmas e dedos, a pressão do sopro e o gesto de interrupção, para que a bolha se soltasse, e pudesse flutuar. A ela isso tudo não importa: tem as bolhas prontas, disponíveis para o mero gesto que resultará no seu estouro. E no estouro da próxima, e outra, incontáveis vezes...

Não será assim que vivemos, em meio aos rituais de consumo em que quotidianamente nos encontramos imersos? Não estamos todos, afinal, estourando bolhas de sabão, na expectativa da próxima, e de outras, quantas forem, não importando como, onde em que condições tenham sido produzidas?

Viva o espírito do Natal!







segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Esse, sim, deve ser o espírito de Natal!

Porque amizade é coisa assim, para se cultivar em jardins, e guardar em recantos arejados e iluminados do coração.
Em nome das minhas queridas Maria Antônia, Diná e Cássia, abraço as pessoas queridas, com voto de que não falte afeto para fazer vibrar nossas vidas, e que sempre tenhamos um cantinho acolhedor para nos encontrarmos, para rirmos um pouco, antes de prosseguirmos nas batalhas diárias de cada um.
Minhas queridas, obrigada pelo presente que foi encontrá-las!

 Diná, minha sócia, Maria Antônia e Cássia. 

 
A menina em busca de alguma jabuticaba remanescente... hummmm, 'tava bem docinha, viu?






domingo, 22 de dezembro de 2013

Flor viva: presente de aniversário que virou presente de Natal

 Para Alzira, que me presenteou com essa coisa linda
E para Ilma, que me contou o nome dessa flor.

No meu aniversário de 2012, Alzira me deu uma planta curiosa: uma haste larga e tenra, bem verde, terminava num conjunto de folhas tenras abertas em copa. De junto do tronco, saía uma segunda haste, um pouco mais delgada, que terminava num conjunto de hastes pequeninas, na ponta de algumas das quais havia uma bolinha vermelha. Ao todo, deveriam ser umas 4 bolinhas. Tampouco ela conhecia a plantinha, ou lhe sabia o nome.

Instalada na varanda de casa, fui acompanhando seu desenvolvimento. E me perguntava se nasceriam outras bolinhas vermelhas na ponta das demais hastes. O que não me parecia provável. E de fato não nasceram. Ao contrário: as bolinhas remanescentes caíram, e aquela haste foi ficando frágil até secar. As folhas também amarelaram, e por fim toda ela morreu.

Confesso certa frustração, afinal eu não soubera preservar a planta, por ignorância quanto às suas características e necessidades. De toda sorte, mantive o vaso no mesmo lugar, e com algum espaçamento no tempo regava a terra.

Há coisa de pouco mais de mês (ou seja, um ano depois), fui surpreendida com uma pequena brotação, muito verde. Rapidamente, ela se desenvolveu, e uma haste mais grossa ergueu-se, tendo ao lado uma haste mais delgada, com uma flor ensaiando se abrir ao lado. Rapidamente, ela explodiu em pequenas flores, ao pé de cada qual, começa a se formar uma bolinha verde. As bolinhas! Tomada de alegria, venho acompanhando seu desenvolvimento. A planta renasceu, depois de um ano em latência.

O presente de aniversário de um ano atrás tornou-se um belo presente de final de ano. Compreendo plenamente quando meu namorado se recusa a me dar “flores mortas”: ramalhetes e arranjos formados por flores cortadas. Às pessoas que amamos, damos flores vivas, e não cadáveres, ele diz. E entendo que flores vivas são assim: portadoras de ciclos, como tudo quanto pulsa.


Como é conhecida: Flor de Natal, ou Estrela de Natal, entre outros nomes populares. Nome científico:  Haemanthus multiflorusmais informações sobre a flor de Natal







sábado, 21 de dezembro de 2013

Razões para evitar fazer compras no Empório Casarão...


Para aqueles que não conhecem Goiânia, ou não andam pelas bandas do Setor Aeroporto, o Empório Casarão oferece um cardápio apetitoso de itens culinários, desde verdes e frescas alfaces, passando por uma padaria com itens surpreendentes, temperos secos perfumados, vinhos e vinagres deliciosos, macarrões japoneses, a doces cortados em fatia capazes de encher a boca de água ao primeiro olhar, por exemplo. Como vem revestido por uma embalagem ao estilo boutique, cada tópico, em geral, aparece bem mais caro, chegando a alcançar o dobro do preço – ou até mais – em relação aos supermercados próximos, ou às feiras livres. No entanto, há alguns produtos que ali são vendidos quase com exclusividade, como é o caso da batata yakon – dificilmente encontro em outros lugares – ou do radiche roxo.

Há algum tempo deixei de frequentar regularmente o Empório Casarão. Já havia me queixado a respeito de muitas frutas estragadas em meio às sadias, e das batatas yakon em mau estado de conservação. Queixas que, embora tenham sido ouvidas pelo gerente, não tiveram encaminhamento de solução. Mas minha decisão de evitar o retorno teve por marco mais forte quando, tendo comprado um pão integral com nozes, em casa constatei se tratar de pão velho, ressecado, com odor ligeiramente azedo. Considerando todo o contexto, cheguei à conclusão de que, como consumidora, não preciso desperdiçar meu tempo, meu humor, e minhas economias naquele estabelecimento.

Depois de um bom tempo, hoje retornei. Senti falta das batatas yakon, e também de um galho de erva doce para a salada. Fui lá, verificar como estavam os produtos. Encontrei-os, em bom estado. Reencontrei, também, o empório, como de sempre. Havia me esquecido do outro item, obrigatório, que me empurra para longe: a falta de educação da elite, de parte significativa daqueles que têm condições de pagar pelos itens caros. Falta de educação que se potencializa às vésperas das festas de fim de ano.

Observo seus comportamentos, e enojo-me. Não posso ser injusta: não são todos. Mas a falta de educação prevalece. Esses, os mal educados, agem como se todos os demais tivessem obrigação de servi-los, porquanto paguem a conta. E embora arquem com os custos de item caros, não são generosos, ao contrário. Vão deixando carros abarrotados em lugares de trânsito. Empurram os demais, acreditando-se eleitos para passar à frente. Desde pontos de vista superiores, olham com má vontade os demais mortais, medindo-os a partir de supostos poderes aquisitivos diferenciados. Por sua vez, os funcionários, embora solícitos (porque sob o olhar da gerência), deixam transparecer a marca de um certo desprezo pela clientela. Demonstram uma ansiedade, parecem querer livrar-se logo daquilo tudo.

Resumindo: sobram delícias, sobram preços caros, faltam gentileza e generosidade. Por vezes, há batatas yakon em bom estado. E galhos verdes de erva doce. Nesses casos, posso levar os dois itens comigo, com o que preparo um suco refrescante, ou uma salada crocante. Estão servidos?



domingo, 8 de dezembro de 2013

Mensagem de Natal (Ruth dos Santos Martins)


O Natal ... tudo de novo ... ano vai ... ano vem.
Por favor, deixem-me curtir as arvores de manga, de jaca, de abacate, de acerola, de pitanga ...

Ainda tenho vivos na memória os acontecimentos ocorridos em mês de dezembro de 2012, principalmente aqueles relativos às festividades do natal. O ambiente natalino nos é apresentado todos os anos desde o vislumbrar do mês de novembro e fortalecido por todo o mês de dezembro, só sumindo de todos os meios de comunicação e propaganda em meados de janeiro, quando sobram, aos montes e para todos, preocupações com as contas a pagar, impostos à vista, reajuste do combustível, alta da inflação, falta de políticas públicas (sérias) para segurança, saúde, educação, emprego e renda etc.

Assim o novo (não tão novo!) ano vai ficando velho, ... e novamente aproxima-se o período do natal, ... e tudo de novo. São os apelos comerciais, os enfeites natalinos, a montagem de árvores de natal, sempre com bolinhas vermelhas, papais noeis de vermelho, gordinhos, a procura por presentes, a renovação de promessas pessoais, os encontros, as confraternizações.

Nós, moradores do Distrito Federal, sabemos que todo o ano, infalivelmente enfrentamos um período de seca, onde o nosso verde praticamente desaparece, a poeira se faz presente com intensidade, o ar seco nos perturba e, por isso, esperamos, ansiosos e esperançosos, o inicio das chuvas.

Que alegria! Após a estiagem, lá pelo mês de outubro ou novembro, chegam as primeiras chuvas tornando-se presentes, por alguns meses, no nosso dia a dia. Esse período, aqui no DF e em algumas outras localidades, coincide com o natal e ano novo.

O verde das plantas se torna exuberante; os pássaros cantam, as flores pipocam por todos os cantos; os frutos dessa época aparecem escandalosamente deliciosos, mostrando todo o vigor e toda a beleza! A paisagem da cidade se transforma rapidamente; passa do marrom seco ao verdejante em questão de dias. É reconfortante sair e andar pelas ruas, pelos becos, pelos gramados e observar tudo o que a natureza nos oferece! Além do colorido das plantas e das flores ouvimos o cantar dos pássaros – são sabiás, joão de barro, almas de gato, pombinhas (as rolinhas), pássaros pretos e tantos outros, grandes e pequeninos.

Andando por ahi, sentindo o “espírito de natal” instalado principalmente no comércio; percebendo a angustia das pessoas, tão comum nessa época em todos os anos, o transito nervoso senti-me desolada, incomodada com a situação e pensei: “parece-me que foi ontem ... e já estamos vivendo tudo de novo”!

Questionei-me sobre o verdadeiro sentimento de religiosidade existente no consumo de tantos objetos por ocasião do natal e do ano novo; no acúmulo de tantas quinquilharias adquiridas e/ou recebidas em nome das festas natalinas; no oferecimento de panetones aos serviçais, lixeiro, moço da água e depois, no restante do ano, muitas vezes nem um bom dia ou boa tarde, como vai? ou outras gentilezas que tanto dignificam o verdadeiro ser humano.

Se prestarmos atenção à natureza, nessa época, veremos, sem exagero, que a mesma nos oferece toda a decoração natalina que tanto desejamos. Basta olhar, com carinho, as mangueiras, altas e soberanas, com seus galhos e folhas quase sempre dispostas simetricamente, enfeitadas de bolinhas de vários tamanhos, em tons variados de verde, todas pendentes, bem ao alcance de nossos olhos; assim também as jaqueiras, as pitangueiras, os abacateiros, ...

E as flores? Multicoloridas e tantos perfumes! Tudo isso adornado pelos passarinhos, que cumprindo a missão, voam por entre toda essa riqueza. Tudo tão enfeitado para nós! Sem apelo comercial, sem cansaço, sem trânsito infernal, trombadas em shoppings.

Essa decoração que nos é oferecida pela natureza ainda proporciona alimento a muita gente que colhe seus frutos, sombra para descanso dos transeuntes, abrigo aos passarinhos e ainda permanece ao longo do ano em que pese a estiagem, o sol escaldante.

Precisamos mesmo comprar enfeites, espalhá-los e montar árvores de natal dentro de nossas casas quando temos todos os enfeites do mundo lá fora e ... ao alcance de nossos olhos?

Pensemos nisso.

Meu querido e minha querida, você é o belo em nossa vida o ano inteiro! Você enfeita e alegra nosso caminho! Você é o presente do natal, do ano novo, de todos os dias que nosso Pai Maior nos deu; obrigada por você existir, por você nos olhar meigamente, ter um sorriso lindo que nos encanta, nos enche de esperança e reforça a crença no ser humano; você é a nossa saudade quando está longe de nós!

Para você, familiares e amigos um olhar de uma árvore verde, com bolas em todos os tons de verde e de todos os tamanhos e tipos, flores multicores e muitos pássaros completando a bela paisagem para este Natal. Um abraço forte e cheio de carinho.


Ruth dos Santos Martins



terça-feira, 25 de dezembro de 2012

exercício de amorosidade



Quando pipocam os fogos de artifício, à meia noite, na virada de 24 para 25 de dezembro, ouço com estranheza a efusiva comemoração. Celebra-se o que, exatamente, nesse momento? O que ocorre nesse passo do tempo, que justifica toda a eclosão de abraços, formulações de votos, comida, bebida, excitação? Cena que tem repetição uma semana depois, quando no calendário é marcada a virada do ano, num fracionamento do tempo sujeito a variações. O que marcam, de fato, essas celebrações?

Lembro-me da primeira ceia de Natal de que tomei parte, na casa de amigos, já vivendo na cidade. Mesa farta, convidativa, aromas deliciosos. Quando os convivas decidiram que havia batido a meia noite, todos começaram a se abraçar, e formular os melhores votos. E eu me perguntava por que àquela hora, e não antes, ou depois, e por que não todos os dias, quando encontramos nossos queridos? Na semana seguinte, lá estava eu, novamente, com a mesma família, acolhida afetuosamente, e novamente lá estava a mesa farta, e novamente à meia noite os votos, a festividade. Eu era abraçada e abraçava, repetindo o gesto de todos, mas me perguntando por que naquele momento e não antes, e não depois?

Já não tenho qualquer intenção de disfarçar meu desconforto com as festas de passagem de ano. Meus votos, formulados nesta época, podem ser estendidos a todos os dias do ano. Declarações de afeto me acompanham quando encontro pessoas queridas. E também quando não as encontro, e lhes sinto a falta.

Afinal, o exercício de amorosidade atravessa calendários, independe dos dias da semana, dos rituais, dos feriados nacionais. Ou não será exercício de amorosidade.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um certo espírito de Natal...


  
Desavisada, saí à rua, e dei de cara com o Natal!
Levei um susto!
É por isso que os supermercados estão cheios
os consumidores, cada vez mais ansiosos,
atropelam-se em busca do melhor produto com menor preço:
biscoitos, panetones, vinhos, perus, pernis...
pessoas se apinham nas lojas de bugigangas
comprando coisas baratas para presentear:
amigos ocultos, parentes, caixinhas de Natal.

Nas ruas, todos têm pressa.

São muitas as despesas para o mesmo salário,
muito trabalho para preparar a ceia,
para confraternizar...

E, por que todos têm pressa,
podem avançar o sinal vermelho,
não esperar o pedestre atravessar na faixa,
ultrapassar “ess’outro lerdo que emperra o caminho!

Faltam sorrisos, gentileza, cuidados, 
sobram sacolas, pacotes, correria,
semblantes fechados.

Então, já é Natal!
Acho mesmo que vou ficar quieta, esperando isso tudo passar,
para, só então, reencontrar as pessoas queridas, 
abraçá-las com calma,
e dizer-lhes, simplesmente, do carinho que lhes tenho,
e que podem, sempre, contar comigo.

Feliz Natal!