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sábado, 5 de janeiro de 2019

Hexagrama 23: desintegração


As linhas obscuras estão prestes a galgar o cume e provocar a queda da última linha firme e luminosa, exercendo sobre ela sua influência corrosiva. O inferior, o obscuro, não luta de maneira direta contra o que é superior e forte, mas vai solapando lentamente em sua ação dissimulada, até que ao final provoca-lhe a queda. As linhas do hexagrama representam a imagem de uma casa. A linha superior é o telhado. Ao ruir o telhado, a casa desaba. O hexagrama é atribuído ao nono mês (outubro-novembro). O poder Yin avança dominando cada vez mais e está prestes a suplantar por completo o poder Yang.

DESINTEGRAÇÃO.
Não é favorável ir a parte alguma.
Esta é a época do avanço dos inferiores, que estão prestes a expulsar os últimos homens fortes e nobres. Sob tais circunstâncias, decorrentes do ciclo em andamento, não é favorável ao homem superior empreender coisa alguma. A atitude correta nessas épocas adversas deve ser deduzida das imagens e seus atributos. O trigrama inferior significa a terra, cujo atributo é a docilidade e a devoção. O trigrama superior significa a montanha, cujo atributo é a quietude. Isso sugere a aceitação da época adversa, mantendo-se a quietude. Não se trata aqui de uma iniciativa humana, mas das condições do ciclo em vigor; estes ciclos, seguindo as leis celestiais, alternam o aumento e a diminuição, a plenitude e o vazio. Não é possível se contrariar essas condições do tempo e por isso não é covardia, e sim sabedoria, submeter-se, evitando a ação.

A montanha repousa sobre a terra: a imagem da DESINTEGRAÇÃO.
Assim, os superiores só podem garantir suas posições mediante dádivas aos inferiores.
A montanha repousa sobre a terra. Se ela for íngreme e estreita, não tendo uma base larga, ruirá. Sua posição é segura somente quando se ergue da terra larga e ampla, e não orgulhosa e íngreme. Do mesmo modo, aqueles que governam repousam sobre o amplo fundamento do povo. Eles também devem ser generosos e magnânimos como a terra, que a tudo sustenta. Desse modo, tornarão sua posição segura como a montanha em sua tranqüilidade.

JULGAMENTO
“Desgastando-se perigosamente não é conveniente ter aonde ir.”
Obter este hexagrama na consulta ao oráculo significa que aquilo que constitui o ponto principal da consulta está prestes a acabar, está numa situação muito frágil, está se desmanchando, desabando. O sujeito ou o objeto da consulta, ou ambos, estão numa situação de enfraquecimento e ruína. Se houver elementos contrários a eles, antagônicos, estes estão prevalecendo no momento e sua atuação nem sempre é visível, pode estar oculta ou dissimulada.

Por tudo isso, não é o momento para se fazer planos ou empreender ações com vista à consecução de um objetivo. Se há um objetivo que se almeja, ele provavelmente não será alcançado por enquanto. Se há um desenlace que se receie, é muito provável que ele ocorra por estes tempos. Assim, de um modo geral, este é um hexagrama de conotação mais negativa do que positiva, embora possa, em princípio, ser bom ou mau. O positivo praticamente se restringe aos casos em que se pergunta sobre o andamento de uma realidade negativa e ele nos diz que já está perto o seu fim. Mas, ainda neste caso, o que pode estar se desgastando, prestes a desmoronar, podem ser as esperanças do sujeito da consulta com relação àquela realidade. Os aspectos negativos são a tal ponto predominantes que a pessoa não tem como lutar contra eles. Não pode atacá-los e, para defender-se, pode apenas submeter-se ou resistir passiva e caladamente e entender que a vida é assim mesmo: apresenta períodos bons e maus.

Isso é verdadeiro principalmente se este hexagrama saiu sozinho ou como segundo na consulta, indicando a forte tendência ao desmoronamento que existe na realidade enfocada.

Fontes: 
1. I Ching, o livro das mutações, de Richard Wilhelm






sábado, 2 de novembro de 2013

Primeiro rascunho para um manual básico de meditação

exercício destinado a usuários
 que têm preservados todos os sentidos,
 e gostam de maçã.

Reserve alguns minutos de seu dia para meditar. Lave bem uma maçã sadia, apetitosa. Sente-se nalgum lugar onde você possa ouvir os sons que vêm de fora, e também os que vêm de dentro de casa. Se houver alguma brisa, tanto melhor. Verifique se você se sente confortável. Apoie a maçã com as duas mãos à frente do seu rosto. Observe sua forma, sua cor. Sinta seu cheiro, e feche os olhos. Continue buscando identificar o cheiro da maçã, e sentir sua forma com as mãos. Ao mesmo tempo, abra os seus ouvidos aos sons que lhe chegam. Note que eles vêm e passam: a voz dalgum vizinho, um cão, pássaros em algazarrara, um piado mais sutil e mais distante, um carro cruza de lá para cá, uma música serpenteia o espaço, algum motor impertinente, sua respiração... e o cheiro da maçã, diante do seu rosto, entre suas mãos. Quando decidir dar a primeira mordida, não perca a oportunidade de sentir sua forma e densidade com os lábios e os dentes. Sinta a resistência de sua polpa, e o sabor que invade a boca. Não deixe de sugar seu sumo. Mastigue lentamente. Perceba que, ao trabalhar com o lado esquerdo da mandíbula, você ouve sua mastigação com o ouvido esquerdo. Mova o pedaço da maçã para o lado direito, e ouça a mastigação com o ouvido direito. Vá alternando os lados. Não parta para a próxima mordida em seguida. Faça uma pausa. Observe novamente as informações sonoras, táteis, olfativas que lhe chegam. Quando sentir vontade, volte à maçã. Com os lábios, sinta o corte deixado por sua primeira mordida. E escolha onde voltará a mordê-la. Siga saboreando-a, aos poucos, sem pressa, e saboreando as sensações que lhe chegam aos demais sentidos. Apesar dos olhos fechados, haverá, também, oscilações na luminosidade filtrada pelas pálpebras. Provavelmente elas chamem a sua atenção. Observe-as, enquanto segue, mordida a mordida. Quando chegar próximo ao eixo central da maçã, verifique, com dentes e lábios, se ainda resta alguma polpa para ser saboreada. Ao final, relaxe os braços e as mãos. Perceba o sabor que permaneceu na boca, e a sensação de seu estômago que inicia o processo digestivo da fruta. Respire fundo. Ouça os sons à sua volta. Delicie-se por algum tempo, até sentir vontade de abrir os olhos.