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sábado, 12 de maio de 2012

O Beijoqueiro



Organizando material para uma palestra, deparei-me com a lembrança de uma figura que ocupou lugar na mídia dos anos 80, por tomar para si o desafio de beijar celebridades, driblando os esquemas de segurança: o Beijoqueiro, como ficou conhecido nacionalmente.

Tratava-se do senhor José Alves, português, radicado no Brasil. A história começou quando, em 1980, numa apresentação do Frank Sinatra no Maracanã, Rio de Janeiro, ele foi desafiado por amigos a beijar a face do cantor. Sua façanha ganhou repercussão na mídia, e a partir de então ele tomou gosto pela coisa, tendo beijado figuras como Roberto Carlos, Brizola, jogadores de futebol, entre outros. Em plena ditadura militar, tínhamos um serial kisser, como o cineasta Carlos Nader o definiu num documentário realizado em 1982.

Eu testemunhei uma dessas situações. Estava no Maracanã, assistindo a um clássico Fla-Flu, quando ele invadiu o campo, para beijar o Zico, o nosso Galinho de Quintino. Foi uma confusão na arquibancada, aquele bolo de gente, seguida da invasão no campo e a interrupção do jogo. Depois os policiais entraram em ação. Demorou para que descobríssemos do que se tratava. Correu um burburinho: "É o Beijoqueiro!" 


Mais tarde, em casa, acompanhamos, nos noticiários televisivos, os detalhes do ocorrido. Ele foi espancado pelos policiais, tendo algumas costelas quebradas. Detido, foi submetido a exames para averiguação sobre sua sanidade mental. Tirando os ossos e os dentes quebrados, estava tudo certo com ele. O juiz que acompanhou o caso foi inflexível em sua sentença: “Beijar não é crime. Quem dera se todos os delinquentes do Brasil trocassem suas armas por beijos”.

Quem dera!