segunda-feira, 29 de outubro de 2012

As artes populares no Brasil Central: performance e patrimônio





Organizadores: João Gabriel L. C. Teixeira e Letícia C. R. Vianna

Título do capítulo que eu assino: Da Boca do Lixo às portas da fama: Afonso Brazza, uma história de paixão pelo cinema.




domingo, 28 de outubro de 2012

FLAAC 2012 - SEMINÁRIO ENCONTRO DE ARTES POPULARES DO BRASIL CENTRAL

Foi no dia 26 de outubro, na Oca dos Povos Indígenas, na estrutura montada para o FLAAC 2012, na Universidade de Brasília.



O FLAAC propiciou o encontro em pessoas, suas referências, seus sonhos, suas utopias...


A Oca é linda! Ficamos todos torcendo para que não chovesse. São Pedro atendeu!


Prof. João Gabriel, o anfitrião-mor do Seminário e organizador do livro As artes populares no Brasil Central: performance e patrimônio, que foi lançado durante o evento.

Letícia, coorganizadora do livro, e também anfitriã no Seminário.


Staff qualificadíssimo! 
 

 



O público

Debates...

Ana Cláudia, tão feliz por reencontrá-la! E o Prof. J. Bamberg. Atentos.

Felipe, que bom encontrá-lo!
E o calor? Passamos o dia fugindo das nesgas de sol que iam passeando pela arena...


Quase findo o dia: cansados e alegres. Ainda tinha muita folia pela frente! Felipe, Augusto, Maria Célia, João Gabriel, queridos! Wandeir, Giselda, muito bom conhecê-los!

João Gabriel e Letícia recebem a bandeira da Folia, no final do dia.

Quando o dia se foi, e o cansaço bateu forte, nada melhor a fazer do que flutuar...








segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Festival Latino-Americano e Africano de Arte e Cultura 2012




2012, ano de realização da terceira edição do Festival Latino-Americano de Arte e Cultura, na Universidade de Brasília.

Durante o festival, acontecerá o Seminário Encontro de Artes Populares do Brasil Central. Nesse seminário, serão apresentadas e discutidas várias manifestações populares culturais, desde danças, música, artesanato, e outras formas de expressão.

No dia 26 de outubro, às 9h da manhã, será lançado o livro com o mesmo nome do encontro, Artes Populares do Brasil Central, organizado pelo Prof. João Gabriel Lima Cruz Teixeira, que reúne uma coletânea extensa de textos assinados por pesquisadores que atuam numa grande diversidade de abordagens e recortes da temática.

Logo depois do lançamento do livro, eu abro a programação, apresentando um recorte da minha pesquisa sobre fazedores de cinema que eu costumo chamar de a contrapelo, numa referência ao pensador Walter Benjamin. Estará em pauta, o cinema radical e maravilhoso de Afonso Brazza.

A programação se estenderá por todo o dia, na Oca dos Povos Indígenas Darcy Ribeiro, no Campus Darcy Ribeiro – Universidade de Brasília.

Encontro vocês por lá. Não é? 

Para verificar a programação, segue o link abaixo:




domingo, 21 de outubro de 2012

passeio por sabores...


paleta na composição do almoço de domingo:

salgado, adocicado, doce, azedo, picante, amargo, crocante, resistente, macio, cru, cozido, quente, frio...

salada crua de alface americana, alface roxa e radíche; salada crua de cenoura, rabanete e batata yakon; miolo de alcatra grelhado, temperado com alho e gengibre; purê de maçã; arroz com alho; conserva de jurubeba; suco de jabuticaba preparado em casa; café sertanejo.

que comece a semana!

Mixer orgânico no preparo do suco de jabuticaba caseiro.  Vai um gole aí?




... xiii, já é horário de verão...


...
quando ia dando meia noite, o timer do computador deu um salto, e já passava longe da meia noite. Pronto, eu já estava atrasada em uma hora. Continuarei com essa sensação de estar atrasada em uma hora até meados de fevereiro, quando findará o horário de verão...

Não estou sozinha no atraso. As maritacas me acompanham (só que elas não fazem caso com o novo horário: sabidas que são!). Algumas delas costumam conversar na minha sacada, de passagem, por volta das sete da manhã. Hoje já eram oito, quando elas chegaram. Ninguém as advertiu: adiante seu relógio em uma hora!... 

Nem ao sabiá, que começou a cantar às 5h30, e não às 4h30, como de costume...



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

as flores e as folhas vermelhas da sapucaia




A  bela sapucaia.

No inverno, perde todas as folhas. Na primavera, vem a nova brotação. Quanto mais jovem, mais rubra. A florada abundante cobre o chão de perfume suave. A folhagem vai  enverdecendo. Cumpre o ciclo, até a próxima florada.

Esta belíssima árvore que aparece na Mata Atlântica, e em outras regiões continente adentro.




terça-feira, 16 de outubro de 2012

Quando vier a Primavera


Quando vier a Primavera
Fernando Pessoa (7-11-1915)

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
(...)


Questões sobre ser e pertencer




Quando afirmo: “cortei minha mão”, algumas perguntas me assaltam: se a mão é minha, e não sou eu, quem é essa entidade à qual a mão pertence? Mais que isso, quem é essa outra entidade que provoca o corte na mão que, não sendo eu, pertence a outrem? De que lugar do corpo, ou melhor, de que lugar, que voz pronuncia a relação de posse com o corpo? Meu pé, minha perna, minha voz, meus olhos, meu coração...

Se tenho transplantado o pé, não deixo de ser eu, e o novo pé passa a integrar a lista de pertencimentos dessa entidade que continua a pronunciar: meu pé. Pergunto, então, qual o limite de transplantes é possível de se realizar para que essa entidade se reconheça como eu? Posso transplantar os pés, as pernas, os braços, os rins, o útero, o fígado, o coração, os ossos, a pele... Quanto da pele? Em que partes do corpo? Poderia ter o rosto transplantado, e o reconheceria como meu? Ou como eu?

De onde é pronunciado esse pertencimento? Do cérebro? Provavelmente não, pois também a ele me refiro como sendo meu: meu cérebro se confunde, e não consegue responder essa questão. Meu, de quem? Que metafísica é essa que descola o corpo daquilo que sou, colocando-o no lugar daquilo que me pertence?



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Eleições para Diretor e Vice Diretor da Faculdade de Artes Visuais da UFG



No dia 22 de outubro de 2012, segunda-feira, das 9 às 21h, serão realizadas as eleições para diretoria da FAV.

Inscritos: os candidatos Prof. Dr. Raimundo Martins e Prof. Dr. José César Clímaco, em chapa única para Diretor e Vice-Diretor, respectivamente.

Têm direito a voto: professores efetivos, servidores técnico-administrativos, estudantes regulares de graduação e pós-graduação.

Embora o voto não seja obrigatório, todos estão convidados a comparecer e manifestar-se, nesse dia. Esperamos por todos!





domingo, 14 de outubro de 2012

Ode em fragmentos endereçada aos pés



Fragmento 1
Porque os nossos pés é a parte de nós quantas vezes esquecida, nem sempre cuidada, tão pouco acarinhada. No mais das vezes, os cuidados são formais, profissionais, a preço de mercado: pedicure, podólogos, sapateiro... As abordagens atendem a padrões: unhas pintadas, cutículas cortadas, sapatos da moda, massagens com os últimos equipamentos novidadeiros...

Fragmento 2
Mas é à intimidade que me refiro. Porque não há intimidade mais delicada do que o toque nos pés da pessoa amada. É como se, juntamente com os pés, todos os caminhos percorridos fossem acolhidos, e acarinhados: as dores, os sustos, os cheiros, as paisagens, as texturas ali impressas, por onde ficaram marcas das pegadas...

Fragmento 3
Quando galgo o mais alto mirante, os olhos se encantam com o que vêem, o coração pulsa forte bombeando sangue e emoção para todo o corpo, os braços se abrem em abraço à paisagem, o rosto se delicia com a brisa ou o sol... Ficam olvidados, quase sempre, os pés, que alavancaram cada passo rumo ao mais alto, e pouco usufruem do resultado do esforço... A menos que haja um veio d’água, e eles sejam os mensageiros primeiros do seu frescor experimentado em mergulho, e comunicado às outras partes do corpo.

Fragmento 4
Que nossos pés nos levem por caminhos que sempre deságuem em aprendizagens capazes de nos tornarem melhores do que somos.



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

presente de aniversário



No dia 10 de outubro choveu. E a água arrefeceu o calor, umedeceu a terra, deixou gotículas nas folhas, exalando perfumes no ar. Era quarta feira. Como foi quando nasci.

Neste ano de 2012, no dia de meu aniversário, nasceu a pequena ninhada de quero-queros, cujo choco eu vinha acompanhando há dias.

Presentão!





terça-feira, 9 de outubro de 2012

... discutindo a relação...

para os que ainda não saibam, não há melhor lugar do que o suporte do ar condicionado, nem melhor horário do que o final da tarde, para se discutir a relação...


video




sábado, 6 de outubro de 2012

Ouvindo Tom Waits



Minha amiga Nana postou o link de uma música de Tom Waits na minha página. Sugestão dada e aceita. Estou rememorando músicas desse artista que transita entre várias categorias: compositor, cantor, ator (quem não viu Down by law? recomendo), performer... Algumas dessas músicas fazem parte de memórias muito caras, mobilizam afetos que se traduzem em odores, sensações táteis, atmosferas.

Lembro-me a estranheza provocada em mim na primeira vez que ouvi sua música. Num aniversário, um amigo presenteou-me com uma fita k-7, daquelas que a gente gravava uma seleção muito personalizada, e arrematava inventando uma capa, fazendo uso de colagem ou desenhando com caneta hidrocor, lápis de cor, giz de cera... Esse amigo mudou-se em seguida para endereço distante, e perdi seu contato. Na fita, não deixou qualquer referência ao artista, nomes de música, qualquer pista que pudesse me ajudar na identificação.

Em casa, acionei o toca-fitas. Aquele som deu-me a impressão de estar errado. Mas esse estar errado era justamente seu modo de estar certo. Parecia alguma coisa que precisava estar fora do lugar para ocupar o lugar que lhe cabia. Tinha algo de animal, de instintivo. Era bruto, rústico, mas também transpirava desamparo. Talvez despertasse em mim uma dor imemorial, uma compaixão. Acho que me fazia lembrar o quão precários são os fios com que tecemos nossas vidas. Não tinha dúvidas quanto à delicadeza indecifrável daquela música que me lembrava terra, pedra, ferrugem, madeira, correnteza... Meu peito ficava apertado, não importava o teor da letra cantada. Era tomada pela mesma sensação, toda vez que ouvia a fita, perguntando-me que músico era aquele!?

Numa tarde qualquer, minha casa foi assaltada. Entre os objetos levados, estavam minhas fitas K-7. Incluindo aquela, inominada, com uma voz cujo dono ainda não tinha feições para mim. Passaram-se alguns anos, quando, na casa de outro amigo, ouvi o timbre inconfundível de uma musicalidade em turbilhão que provocava, em mim, aquela sensação inevitável. Tom Waits apresentava-se, enfim, como artista com nome, sobrenome, discografia, filmografia, gesto e olhar.

(...)
She was 15 years old
And she never seen the ocean
She climbed into a van
With the vagabond
And the last thing she said
Was "I love you mom".

And a little rain
Never hurt no one
And a little rain
Never hurt no one

(A little rain. Tom Waits)



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Unicórnios


Unicórnios
Vilém Flusser
publicado no Jornal Folha de São Paulo de 24 de março de 1972

Embora não sejam, a rigor, animais domésticos, são, no entanto, extremamente úteis ao homem. A sua utilidade varia com o tempo. Na antigüidade o seu chifre servia, apropriadamente moído, como remédio contra todos os venenos. Na Idade Média o unicórnio servia como atributo da virgindade, portanto tinha utilidade pública incontestável. No romantismo e pós-romantismo foi amplamente utilizado como tema de poesias, (embora a palavra "unicórnio" não tenha muitas rimas nas línguas latinas). E atualmente é indispensável para livros de lógica e teoria do conhecimento. Com efeito: tais livros não poderiam existir, se o unicórnio não existisse, e nem, se existisse. Para prová-lo, tomemos as seguintes sentenças:

1. A maçã é verde.
2. O sangue é verde.
3. Deus é verde.
4. A liberdade é verde.
5. O presente rei da França é verde.
6. O unicórnio é verde.

A primeira sentença pode ou não ser verdadeira. A segunda é falsa. Ambas têm sentido. As demais sentenças não têm sentido. Pois isto é fácil dizer-se, é fácil verificar-se, já que, ao dizermos tais sentenças, estamos segurando a risada. Por não terem sentidos tais sentenças, são ridículas e divertidas. Difícil é dizer por que tais sentenças não têm sentido, porque os seus sujeitos, a saber: Deus, a liberdade, o presente rei da França e o unicórnio, não existem. Mas não podemos dizê-lo. Não se pode dizer que Deus não existe, porque seria primeiro necessário definir o termo "Deus". Coisa impossível. Não se pode dizer que a liberdade não existe, porque a sua presença ou ausência são nitidamente constatáveis. A sentença "a liberdade é verde" não tem sentido, embora a liberdade exista. Não se pode dizer que o presente rei da França não existe, sem dizer-se, também, quando se está falando. Por exemplo: no século 17 existia um rei da França que estava presente, e a sentença era então provavelmente falsa, e tinha portanto sentido. Mas, quanto ao unicórnio, todos estão de acordo que não existe. Portanto podemos dizer claramente porque a sentença "o unicórnio é verde" não tem sentido. O único caso nítido entre os exemplos fornecidos. Não fosse o unicórnio, e os livros de lógica e teoria de conhecimento não teriam sentido. Não teriam sentido, porque não poderiam exemplificar o que quer dizer: "não ter sentido". Isto seria uma pena, especialmente para professores de lógica e teoria do conhecimento. Mas, felizmente, há unicórnio, e Sócrates é seu fiel companheiro. Assim: Sócrates é mortal, e o unicórnio é verde. Viva a cultura.




temporalidades






quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Memória de um gole de cerveja



Certas impressões sensoriais deixaram marcas tão fundas nos sentidos, que muito tempo depois, por vezes, inesperadamente, sou tomada de assalto pela impressão deixada por alguma lufada de vento, uma sonoridade, o gole de alguma bebida, fixada nalgum momento perdido entre tantos que podem ser revisitados no amplo e concorrido labirinto da memória.

No final dos anos 70, eu era estudante secundarista. Minha turma, do Curso Técnico em Eletrônica, era formada majoritariamente por rapazes, numa proporção de, aproximadamente, seis meninos para cada menina. Naquele final de semana, eu participava de uma gincana, numa equipe que havíamos batizado de Samuca. Era uma referência carinhosa ao Samuel, membro da equipe, colega de classe, jogador de vôlei – chegou a integrar a seleção de Brasília durante algum tempo.

Durante todo o sábado, a equipe se desdobrou em várias, para cumprir todas as tarefas da melhor forma possível, e assim obter a pontuação máxima. Ao final do dia, estávamos exaustos, suados, em desalinho. Mas não muito, pois ainda encontramos energia para comemorar aos pulos a conquista do primeiro lugar. No início da noite, seguimos para uma pizzaria, onde mataríamos a sede e a fome, comentando os vários momentos do dia, as dificuldades e correrias pelas quais teríamos passado. E riríamos com a felicidade solta dos que conquistaram a vitória.

Acompanhando a maioria, pedi uma cerveja, enquanto esperávamos as duas pizzas gigantes que seriam servidas ao palitinho. Quando bebi o primeiro gole, senti seu frescor ligeiramente amargo e borbulhante. Fui sorvendo o líquido devagar, até a metade da taça. Aquela não foi minha primeira cerveja. Tampouco seria a última. No entanto, por certo não voltei a experimentar o mesmo prazer tomando dessa bebida, em qualquer outro momento depois dali.

Hoje, dia quente e seco de Primavera, busquei um pouco de água mineral gaseificada. Quando senti seu gosto, borbulhante e fresca, lembrei o gole daquela cerveja, há mais de três décadas atrás.

Um viva ao frescor! Ao frescor da idade, da cerveja, da água com gás!



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

goianidades


Dentro do avião, comecei a sentir frio. Embora vestisse blusa com mangas, e um echarpe leve, que costuma me abrigar de brisas mais frescas, tinha a impressão de que a atmosfera gélida se enfiava pelos ossos adentro, causando mal estar. 

Estariam os demais também passando pelo mesmo desconforto? Ao meu lado, um rapaz em mangas de camisa esfregava as mãos para aquecê-las, e mais adiante uma moça observava a paisagem com os braços cruzados. Também sentiam frio.

Pouco antes de aterrizar, o piloto deu informações sobre o voo e sobre o clima. Nos aguardava uma cidade que, às 20h30min, marcava 28ºC. 

À porta do avião, senti a lufada do ar quente, que aqueceu a pele fria, num alívio. Logo atrás de mim, uma moça bonita abriu um sorriso: "- Podemos arregaçar as mangas do casaco: chegamos em casa! Chega de passar frio!" Ri-me com ela.

Tínhamos chegado em casa! Bem chegados ao tempo acalorado de Primavera. Em casa!