sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Cacilda, a bicicleta


Quando criança, não tive bicicleta. Subi em árvore, andei descalço pelo mato, encardi os pés, andei a cavalo, tirei leite de vaca. Mas não andei de bicicleta.

Já tinha uns 28 anos de idade, quando resolvi que queria embarcar nessa nova aventura. O namorado era atleta, e se animou em assumir o papel de meu professor para assuntos de andar de bicicleta. Comprei meu camelo (em Brasília, bicicletas também podem ser chamadas de camelo), e nos finais de semana brincávamos, durante horas, no estacionamento da universidade, passando pelas várias etapas da aprendizagem. Inicialmente, eu pedalava, e ele seguia atrás de mim, segurando o banco da bicicleta. Até o momento em que ele me deixou seguir, sem que eu percebesse. Quando notei o desamparo, desequilibrei, mas não cheguei a cair. Fui ganhando confiança. A dificuldade maior estava no arranque. Depois de pegar alguma velocidade, por menor que fosse, tudo ficava mais fácil.

Foi então que descobri o segredo: a velocidade me ajudava no equilíbrio. Gostei da ideia. No estacionamento, havia uma ladeira não muito severa. Embiquei a bicicleta na descida, e pedalei. Ela ganhou velocidade, e senti a delícia do vento no rosto. Vibrei. A bicicleta ficou leve, equilibrada. O veículo dos meus sonhos. Mas não tive muito tempo para perceber que deveria fazer uma curva ao final, pois o estacionamento acabava. Acabou. A bicicleta bateu no meio fio, alçando-me para fora dela. Estabaquei-me no chão. Fiquei lá, estirada no gramado, entre rindo e queixando-me dos esfolados. Ao meu lado, também esfolada, arriada, a bicicleta, que a partir daquele dia passou a se chamar Cacilda.

Cacilda foi uma companheira e tanto em muitos passeios pela cidade. O tempo passou, o namorado passou, e, aos poucos, deixei de andar de bicicleta. Qualquer dia desses, vou verificar o que há de verdade na máxima que diz que se a gente aprende a andar de bicicleta, não esquece mais.


2 comentários:

  1. ...cacílds!... Pode contar comigo!...Já estou providenciando até um triciclo,justamente para evitar os danados dos 'estabáques' inesperados...

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    1. Oba! Vou adorar sair por aí, passeando com você!
      :)

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