quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A incivilidade cresce na mesma razão da frota de carros...


Na garagem do prédio onde moro, dentre os quantos, um problema multiplica-se dia a dia: muitas camionetes com cabine dupla insistem em se abrigar em vagas projetadas para carros de passeio. Resulta que avançam entre meio metro e um metro na área de circulação e manobra: área de uso comum.

No início, era uma camionete. Depois duas. Então várias. O síndico explica: é que aumentou o poder aquisitivo dos moradores! Eu respondo: enquanto isso, a capacidade de convívio em coletividade vai atrofiando, juntamente à civilidade...

Mas não é só na garagem do meu prédio que os carros são estacionados de maneira indevida, desrespeitando o princípio da civilidade: essa situação reflete uma outra, muito mais grave, replicada aos milhares nas ruas, praças, passeios, e demais locais públicos, onde o cenário é, no mínimo, cabuloso.

Um repórter do Jornal O Popular circulou pela cidade durante 6h, anotando infrações de trânsito. Passou por vários bairros, no centro e mais afastados, bairros populares e de elite. Notem: ele não é especialista no assunto, e o fez em circulação, o que talvez restrinja a observação de certos tipos de infração em favor de outros. Sua jornada resultou no registro de 285 infrações, que incluíram: dirigir falando ao telefone celular; dirigir sem cinto; avançar no sinal vermelho; etc. Mas o recorde esteve no quesito “estacionamento em lugar proibido”: em cima de calçadas, em fila dupla, em esquinas, sobre faixa de pedestres, impedindo passagem, etc.

Ora. Se, como diz o síndico do meu prédio, o poder aquisitivo das classes emergentes aumenta, a pressão do mercado e do próprio Estado é pela aquisição de seu carro novo. Goiânia está entre as cidades brasileiras com a maior frota de carros per capita. E tem, de longe, a maior frota de motocicletas per capita.

Sem qualquer política voltada para a educação no trânsito, prevalece o espírito competitivo, segundo o qual as palavras de ordem são: eu primeiro, o meu agora, esse lugar para mim, vire-se!

Não é à toa que, em 2013, Goiânia registrou 314 mil multas por excesso de velocidade em 11 meses. Cerca de 951 multas por excesso de velocidade a cada dia! A indústria das multas é lucrativa para o Estado, tanto quanto a indústria automobilística e de motocicletas. Talvez isso explique a omissão do Estado em relação ao disciplinamento, fiscalização e educação no tocante ao trânsito.

Embora tenha algum sabor de clichê, não resisto à tentação de repetir a velha referência ao filme de animação de Disney, “O senhor volante”, realizado ainda na década de 50. Que filmes faria ele, vivesse hoje?


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