literatices... letras para nada, talvez para tudo... imagens de nada, que podem ser de tudo... matutações... penseros... rabiscações... daquilo que vejo... ou não... porque tomo assento neste tempo quando a humanidade produz vertiginosamente letras, símbolos e imagens, em busca de sentidos, quaisquer que sejam... ou não...
terça-feira, 31 de julho de 2012
segunda-feira, 30 de julho de 2012
A quem interessar possa: não guardo lugar na fila, nem vigio carros na rua...
Entramos na fila para atendimento no balcão de uma
empresa aérea. Enquanto a funcionária atendia um grupo de pessoas, duas pessoas
esperavam antes de nós. Um bom tempo depois, uma senhora muito vaidosa, bem
maquiada, chegou-se, como quem não quer nada, e se posicionou à nossa frente. Ante nosso olhar de indagação,
explicou: “Eu já estava aqui. Algum problema?”
Todos os problemas, minha senhora! Praticava, ela, o velho hábito de “guardar lugar na fila” enquanto vai ali,
dar uma voltinha... Problema de quem dá a bobeira de ficar na fila...
Noutro dia, no supermercado, entrei na fila do caixa
rápido. À minha frente, uma senhora empurrava um carrinho. Suas compras
ultrapassavam, em muito, os 15 itens configurados para aquele tipo de atendimento.
Algum dia eu também entraria naquela fila com mais que 15 itens no carrinho,
pensei. Logo ela me olhou, e pediu-me, com desenvoltura: “Eu me esqueci de pegar uma coisa. Você olha o meu carrinho, enquanto eu
vou buscar?”. Naquele dia, em especial, eu queria voltar em paz, para casa.
Então assenti com um gesto mínimo, e fiquei ali, empurrando o carrinho dela com
o meu próprio carrinho, meio a contragosto. Mas a dona demorou-se bem mais do que o tempo
necessário para ir até a prateleira e retornar. Aliás, cheguei até à metade do
percurso, quando a fila entrava por um corredor estreito, antes de desembocar
na área dos caixas. Ali, acomodei seu carrinho fora da fila, e segui, só com o
meu. Já chegada a minha vez de ser atendida, ela apareceu, sorridente. “Cadê?”, perguntou-me. Eu ri. “A senhora não achou, mesmo, que eu iria
trazer o seu carrinho até aqui, não é?”. E lhe apontei onde estava, devidamente
estacionado entre algumas gôndolas de promoções. Claro está que fui qualificada
como mal educada...
No estacionamento de outro supermercado, depois de colocar
as compras no meu carro, fui devolver o carrinho ao lugar devido. Enquanto isso,
uma senhora, que tentava estacionar numa vaga ao lado do meu, retirara dois
carrinhos dali, e os posicionara impedindo a saída do meu carro. Retornei nesse
exato momento. Sem acreditar na cena que eu testemunhava, a adverti: “Muito obrigada pelo favor de trancar o meu
carro, enquanto abre a vaga para estacionar o seu!”. Ao que ela,
prontamente respondeu: “Por nada”,
com um breve sorriso. Eu devolvi os dois carrinhos à vaga pleiteada por ela, e
desafiei: “Quero ver você estacionar,
agora!”. “Se eu soubesse que o carro
era seu, não teria feito isso!” Justificou, enquanto providenciava a
retirada dos carrinhos, novamente. Para posicioná-los trancando outro carro...
Situação mais divertida que essa aconteceu numa esquina
da Rua 3, no centro. Enquanto aguardava o taxista, eu observava o movimento das
pessoas. Minha atenção voltou-se para uma jovem senhora estacionando seu
veículo bem na esquina, formando uma diagonal. Sem se importar por estar
importunando o fluxo dos demais veículos, manobrou para lá, para cá, várias
vezes. E eu ali, ponderando a situação. Quando se deu por satisfeita, desligou
o carro, e saiu. Observou-o, quase no meio da rua. Olhou-me e desfechou a
pérola: “Oi, você vigia meu carro
enquanto eu vou ali, e já volto, rapidinho?” Está bem, eu reconheço ter
perdido a melhor oportunidade que já tive de ganhar um trocado enquanto
esperava o táxi. Claro, com minhas qualificações, teria de cobrar um pouco mais
caro do que a tabela geral do mercado... Mas não, não pude deixar de manifestar
com ênfase minha indignação – nem tanto com o pedido para eu vigiar, mas com o
carro deixado no meio da rua, atrapalhando os demais. Ela me olhou com quase
candura. E seguiu seu caminho. Para ela, minha reação é que estava fora do
esquadro...
Y así pasan los dias en Goiás...
domingo, 29 de julho de 2012
de afetos e saudades
p/ Nhá Delu, in memoriam
e J. Bamberg
Em 2010, quando voltava de Cachoeira, passei por Salvador.
Fomos visitar Nhá Delu, que eu ainda não conhecia. Linda, vaidosa, aguardava-nos
bem acomodada a uma poltrona, na sala ampla de seu apartamento voltado para o mar. Sentei-me ao
seu lado. Cercados dos demais familiares, o burburinho da conversa tinha
tonalidades de alegria, saudades, encantamentos. Não demorou muito para que eu
conhecesse outra habitante do lugar, uma calopsita branca, por quem fui adotada,
e veio cochichar arrulhos ao meu ouvido, enredando-se nos meus cabelos. Fiquei ali,
sentindo-me abraçada pelo afago da mão de Nhá Delu, segurando firmemente a
minha, e a calopsita instalada em meu ombro.
Memória de afeto e acolhimento.
Ontem, Nhá Delu nos deixou, seguindo a viagem solitária
que todos faremos, mais dia, menos dia...
Saudades.
Em tempo: os ipês brancos cobriram-se de flores. Delicada florada, não dura mais que uns poucos dias. Mal nos surpreendemos com sua beleza, já não está lá... assim...
quinta-feira, 26 de julho de 2012
domingo, 22 de julho de 2012
Ainda Ridley Scott, e o elegante canibal Dr. Lecter, o Hannibal
Ontem revi Hannibal.
O Dr Lecter, do mesmo modo que o Alien, foi personagem que rendeu vários filmes
de ação e suspense. Alguns dos quais, memoráveis. O primeiro filme, que eu não vi,
foi produzido em 1986. Trata-se da primeira versão de Dragão vermelho, dirigido por Michael Man. A história é baseada no
livro de mesmo nome, de uma série de ficção escrita por Thomas Harris, no
início dos anos 80 – este o mentor, portanto, da personagem. Parece que o filme não chegou
a obter grande sucesso. Foi em 1991, na pele de Anthony Hopkins, que o Dr.
Lecter assustou os públicos em salas de cinema lotadas, com seu olhar entre indiferente e cândido,
sua mente brilhante, seu desejo de morte, e a capacidade de devorar ferozmente pedaços
de suas vítimas – bochechas, língua, cérebro... Além, é claro, de seu fascínio
por Clarice, a jovem investigadora do FBI, vivida então por Jodie Foster.
O
silêncio dos Inocentes, dirigido por Jonathan Demme, em 1991, mantém
tensão do início ao fim da história, conduzindo o público ao susto, ao suspense,
ao medo. A montagem é realizada com mestria, nesse filme que conseguiu aprovação
de público e crítica, obtendo enorme sucesso de bilheteria. Mas é a atuação
magistral de Hopkins que arrebata de modo inquestionável.
Em 2001, Ridley Scott filmou a sequência da história, em Hannibal. Anthony Hopkins continua no controle de seu Dr. Lecter, e Clarice Starling é interpretada por Julianne Moore. O filme não tem a carnadura de seu antecessor (em alguns momentos, o argumento mostra-se irregular) mas apresenta uma das sequências mais provocadoras da indústria cinematográfica: quando o canibal serve, à sua vítima, um pedaço do seu próprio cérebro, em um banquete elegantíssimo, diante de uma Clarice meio sedada, meio enauseada, trajando roupa de gala presenteada pelo protagonista. Esse trecho do filme sintetiza o espírito do cinema do Ocidente: entretenimento, no qual a farsa, a ilusão e a truca são ferramentas a serviço de contar histórias ao mesmo tempo fantásticas, verossímeis, desafiadoras à imaginação - mesmo que haja sempre alguém de plantão a questionar se o acontecimento seria, mesmo, possível, nos termos da ciência, da biologia... - A cena mantém tensão, não faz rir, embora seja irônica, com requintes de cinismo; é repulsiva, mas o expectador não consegue deixar de olhar. E alonga-se na medida certa, sem abusar do cansaço mesmo dos mais inquietos. Tantas vezes eu veja o filme, tantas vezes aguardarei por esse momento. Devo esse prazer a Anthony Hopkins. E, claro, a Ridley Scott.
Em 2001, Ridley Scott filmou a sequência da história, em Hannibal. Anthony Hopkins continua no controle de seu Dr. Lecter, e Clarice Starling é interpretada por Julianne Moore. O filme não tem a carnadura de seu antecessor (em alguns momentos, o argumento mostra-se irregular) mas apresenta uma das sequências mais provocadoras da indústria cinematográfica: quando o canibal serve, à sua vítima, um pedaço do seu próprio cérebro, em um banquete elegantíssimo, diante de uma Clarice meio sedada, meio enauseada, trajando roupa de gala presenteada pelo protagonista. Esse trecho do filme sintetiza o espírito do cinema do Ocidente: entretenimento, no qual a farsa, a ilusão e a truca são ferramentas a serviço de contar histórias ao mesmo tempo fantásticas, verossímeis, desafiadoras à imaginação - mesmo que haja sempre alguém de plantão a questionar se o acontecimento seria, mesmo, possível, nos termos da ciência, da biologia... - A cena mantém tensão, não faz rir, embora seja irônica, com requintes de cinismo; é repulsiva, mas o expectador não consegue deixar de olhar. E alonga-se na medida certa, sem abusar do cansaço mesmo dos mais inquietos. Tantas vezes eu veja o filme, tantas vezes aguardarei por esse momento. Devo esse prazer a Anthony Hopkins. E, claro, a Ridley Scott.
No ano seguinte, 2002, foi lançada a segunda versão do Dragão vermelho, com Brett Ratner
na direção. Tendo obtido mais sucesso junto ao público e à crítica do
que o primeiro, o filme também articula ação e suspense de modo muito bem
sucedido. Faz parte dos filmes que vejo repetidas vezes, com o mesmo prazer.
Finalmente, em 2007, Peter Webber lançou Hannibal, a origem do mal, no qual é
contado o início da saga de Lecter. Ainda não vi o filme. Talvez o veja.
Mas penso, mesmo, em rever o banquete servido em Hannibal.
Ah, o banquete... Gracias, Ridley Scott! (em tempo: mas Prometheus?... aff!!!)
sábado, 21 de julho de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
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