literatices... letras para nada, talvez para tudo... imagens de nada, que podem ser de tudo... matutações... penseros... rabiscações... daquilo que vejo... ou não... porque tomo assento neste tempo quando a humanidade produz vertiginosamente letras, símbolos e imagens, em busca de sentidos, quaisquer que sejam... ou não...
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Um ponto médio entre o frio e o calor
Conversava, ao telefone, com meu amigo residente em Curitiba - que, a propósito, recebeu recentemente o título de cidadão honorário. Notícias de lá, notícias de cá, ele comentou: -"Aqui agora está bom, começou a fazer calor..." Eu o interrompi, comentando que aqui também o clima estava mais confortável. Fresco, foi o adjetivo com que o qualifiquei. E ia acrescentando que hoje, pela manhã, a temperatura estaria por volta de... quando ele interceptou minha fala, antes que eu concluísse, fechando a ideia do que queria dizer com "fazer calor": -"Hoje está 22ºC". Rimos. Essa era a temperatura à qual eu me referia, quando falei no frescor destes dias, pelas bandas de cá...
Dias quentes, frios, frescos: tudo depende do ponto de partida em relação ao qual se estabelecem os parâmetros de comparação...
sábado, 22 de outubro de 2011
Exercícios de alteridade – cegos e surdos
p/ Albertina Brasil
Durante um evento voltado para artistas portadores de necessidades especiais, visitávamos a exposição do fotógrafo esloveno Evgen Bavcar. Eu me demorei diante de cada imagem, provocada pelas questões às quais ele nos empurrava, sobre o ato de ver, de produzir imagens, sobre a experiência estética.
Ela entrou na sala de exposições, completou o circuito rapidamente, emitiu seu parecer numa sentença breve: “Muito bom!”. Já ia se retirando, quando eu a interceptei à porta: -“Você já conhecia? Sabe quem é?” Não sabia, nunca vira... Então eu pronunciei as palavras definitivas: -“É cego...” Cego? Um fotógrafo? Voltou para a sala, e olhou, inconformada, cada fotografia, perguntando-se como poderia ser, aquilo?
Dez anos se passaram desde então. Agora era ela quem propunha performance e exposição na galeria universitária. Surpreendi-me com a notícia de que um acidente vásculo-cerebral a deixou surda. E ela tornou-se amarga e ácida, no trato pessoal como em sua produção artística.
Saudades do porte galante, sedutor e vaidoso de Bavcar.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Poética da Alteridade - Cor de Burro Quando Foge
Poética da Alteridade - Cor de Burro Quando Foge
Era apaixonado e amigueiro, aquele magenta. Costumava brincar com os vizinhos pigmentos alaranjados e arroxeados, oscilando ligeiramente a tonalidade para lá e para cá. Depois retomava seu eixo, sem perder a referência de sua posição no círculo cromático.
Mas, toda vez que olhava na direção oposta, e avistava o verde, seu tom magenta ganhava em intensidade. Ao mesmo tempo, sentia uma tensão interna, e duas forças simultâneas impeliam-no à rejeição e à atração.
Estranho sentimento, aquele...
Encontraram-se, certa vez. Percebeu, então, que também o verde ficava ainda mais verde, em sua proximidade. Apesar de toda a tensão que os envolvia, arriscavam-se nalgumas aproximações. Tocaram-se, e aos poucos foram diluindo-se um no outro. Desapareceram numa descor. Deveria ser preto, mas as impurezas impregnadas em seus pigmentos só deixou que chegassem a um tom escuro e indefinido. Uma cor suja, diriam alguns.
Cor de burro quando foge, é como definiria minha avó.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Poética da Alteridade - Amarelo
O amarelo, curioso e vibrante, queria aprender como era ser azul. Moveu-se na escala cromática. Experimentou outros pigmentos que refletiam diferentes comprimentos de onda de luz. Deixou-se impregnar de não-amarelos.
Quando quis retornar à condição original, já não conseguiu se purificar dos muitos fragmentos incorporados no caminho. Tornara-se amarelo-limão intenso.
Por vezes sentia saudades de ser azul novamente, e retomava a posição do outro. Na volta, a cada vez, era um pouco menos amarelo.
Um dia, percebeu que já não pertencia à categoria dos amarelos. Tampouco dos azuis.
Tornara-se verde.
Quando quis retornar à condição original, já não conseguiu se purificar dos muitos fragmentos incorporados no caminho. Tornara-se amarelo-limão intenso.
Por vezes sentia saudades de ser azul novamente, e retomava a posição do outro. Na volta, a cada vez, era um pouco menos amarelo.
Um dia, percebeu que já não pertencia à categoria dos amarelos. Tampouco dos azuis.
Tornara-se verde.
"Professora, quando misturo estas duas cores, elas desaparecem: morre o amarelo, morre o azul, e aparece este verde!"
terça-feira, 18 de outubro de 2011
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Medo das utopias...
Les utopies apparaissent comme bien plus réalisables qu’on ne le croyait autrefois. Et nous nous trouvons actuellement devant une question bien autrement angoissante: Comment éviter leur réalisation définitive?... Les utopies sont réalisables. La vie marche vers les utopies. Et peut-être um siècle nouveau commence-t-il, um siècle où les intelectuels et la classe cultivée rêveront aux moyens d’éviter les utopies et de retourner à société non utopique, moins ‘parfaite’ et plus libre.
Nicolas Berdiaeff, in Brave New World (Admirável Mundo Novo), escrito em 1932, por Aldous Huxley.
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