literatices... letras para nada, talvez para tudo... imagens de nada, que podem ser de tudo... matutações... penseros... rabiscações... daquilo que vejo... ou não... porque tomo assento neste tempo quando a humanidade produz vertiginosamente letras, símbolos e imagens, em busca de sentidos, quaisquer que sejam... ou não...
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
sábado, 9 de janeiro de 2016
Walmart: gestão incompetente e crise
A rede de supermercados Walmart anunciou, no apagar das
luzes de 2015, que fechará em torno de 25 lojas no Brasil. É a crise, afirmam. E
encontram ecos entre os leitores da notícia.
No entanto, esse anúncio tão somente veio esclarecer,
afinal, uma situação que me causava interrogações há algum tempo. Explico-me.
Resido nas cercanias de uma das lojas do Walmart que, durante
um bom tempo, foi o endereço certo onde fiz as compras para atender às demandas
domésticas. Várias razões justificavam essa escolha: praticidade, proximidade,
agilidade. Nem sempre os preços eram os mais baixos, mas as demais vantagens
acabavam por compensar.
No entanto, ainda em 2014, começaram alguns problemas.
O fato de terem demarcado vagas especiais e faixas para
circulação de pedestres no estacionamento poderia apontar para um ponto
positivo, não fosse o fato de os próprios funcionários do supermercado serem os
primeiros a não respeitar as vagas e as faixas. Mais que isso, a gerência fazia
vista grossa às observações a respeito, quando não justificava a conduta dos
funcionários, chegando mesmo a alegar que eles estariam sendo orientados a se portar daquela forma. Essa seria uma questão menor? Não me parece. Eu prezo muito
pela civilidade, luto por uma sociedade que respeite os direitos cidadãos, e
essa comparece como uma questão cara, muito cara.
Mais tarde, a fila única para atendimento nos caixas-rápido,
que funcionava de modo muito eficiente, foi desfeita, e adotadas filas
individuais para cada caixa disponível. Rapidamente, clientes com seus
carrinhos lotados, com mais itens do que o previsto para os caixas-rápido,
passaram a se aboletar nessas filas, e os funcionários não tinham autorização
para encaminhá-los para os outros caixas. Outros problemas somaram-se aos desse
tipo, de modo que, se na fila única eu gastava no máximo 20 minutos para pagar
alguma mercadoria, no novo sistema passei a gastar no mínimo meia hora. Procurei,
todas as vezes, pela gerência do supermercado para explicar o que estava
acontecendo, e como resposta ouvi, em todas as vezes, que eles tinham feito uma
pesquisa e aquela era, sim, a maneira mais eficiente de organizarem as filas. A
minha experiência, como cliente, não tinha importância: por princípio, estava
errada. E não foi levada em consideração, mesmo quando os adverti que eu
deixaria de fazer compras ali.
Nesse ínterim, percebi o aprofundamento de uma certa tensão
na atuação dos atendentes, o que em muitas circunstâncias acabava resultando em
rispidez, falta de educação e até desrespeito.
Aos poucos, desviei meu percurso para fazer as compras
necessárias em outro supermercado. Há muito tempo deixei de ir ao Walmart, e
sequer tenho intenção de voltar.
E me perguntava: Será que só eu é que me incomodo com essa
conduta por parte do supermercado? Será que ninguém mais se ressente? Será que
as pessoas continuam comprando, apesar de serem mal atendidas, desrespeitadas?
A resposta veio com essa notícia, que acabou não me surpreendendo: sim, além de mim, mais pessoas deixaram
de comprar no Walmart, tantas, a ponto de os lucros já minguarem, e eles não terem mais interesse em manter sua rede intacta. Agora, fecham lojas atribuindo a
responsabilidade à crise econômica brasileira. Jamais assumirão a incompetência
de gestão como fator preponderante para o quadro que se desenha.
Afinal, a crise na economia brasileira, entre outros fatores, também é devida a empresas que se
comportam dessa maneira, sem maiores compromissos com a sociedade na qual está inserida, e sem responsabilidade com gestão competente.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Selfie
P/ Ruth e D. Alice, meus amores
(Minha irmã e minha mãe)
O síndico de um outro prédio monitora poças de água em lugares escondidos usando um pau de selfie...
Pau de que?
Pau de que?
Selfie.
Sel... o que?
Selfie. É uma foto que a senhora faz da senhora mesma.
Como chama?
Vou comprar um pau de selfie para a senhora!
(risos)
Vou comprar um pau de selfie para a senhora!
(risos)
(Eu e minha mãe)
Vou mostrar para a senhora o que é uma selfie. Vamos fazer
uma.
(Posiciono a câmera do aparelho celular. Estamos as duas na
tela. Peço que toque o dedo, para tirar a foto. Tudo ainda é estranho. O dedo
trabalhador não é muito afeito às sutilezas e frescuras da “touch screen”...)
Pronto: a senhora fez uma selfie nossa. Mas sua cara ficou meio arrenegada. Faz outra.
'Tá parecendo que estou chorando. Não gostei.
Isso, pode fazer outra.
Agora sim! É que eu fico concentrada e esqueço de sorrir...
Vamos fazer uma com nós três! A senhora fotografa.
(Ela segura uma mão com a outra, para ajudar a firmar o
gesto. A mão aparece na tela.)
Então selfie é uma foto que a gente faz da gente, com o dedo
na tela do celular...
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Sobre Guerra nas Estrelas e alguma nostalgia
Ontem fui ver o campeão de bilheterias do momento. Star
Wars: O Despertar da Força (Star Wars: The Force Awakens), ou Star Wars:
Episódio VII – O Despertar da Força. Como queiram.
Divirto-me observando quem vá ver filmes com produção como
essa e depois façam longas críticas, apontando problemas, defeitos, e comparando-os aos primeiros da saga, desqualificando as produções mais recentes.
Confesso que fui desvestida de qualquer expectativa, ou de protocolos para análise e avaliação. Fui por entretenimento. Fui ouvir e ver uma
história que se conecta a um conjunto de outras histórias já contadas, mas que
deve também ser degustada em sua individualidade.
Considero positivo o resultado da minha predisposição. Surpreendentemente, foi o filme que me conduziu a
memórias, afetos, e mostrou a mim mesma como diante de um espelho. Foi bom olhar. Foi bom
ouvir.
Assisti ao Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança no
final dos anos 1970. Eu não tinha, ainda, 20 anos. A Princesa Leia teria um
pouco mais que isso. Era um tempo de efervescências. Em plena ditadura militar,
a metáfora do embate entre a sombra e a luz ganhava uma potência extra. Vi os
dois episódios que se seguiram. Acho que já não tinham a intensidade inaugural do
Episódio IV, mas ligavam-se a ele, articulando sentidos à história que
já se instalara, de modo indelével, no meu imaginário.
A segunda trilogia, lançada duas décadas depois da primeira,
encontrou outro cenário político e social, outras tensões moviam os afetos. Os
recursos tecnológicos digitais que animavam as imagens e os sons suplantaram as
referências artesanais com que a primeira trilogia fora realizada, de modo que
poucos elos pareciam ligar uma à outra de modo mais explícito, orgânico. Apesar
de tratar da mesma saga, descolara-se, a segunda, da primeira, na forma, no
ritmo, no espírito. Além disso, o embate entre as sombras e a luz ganhou
dubiedades, já fora de contextos tão claramente divididos, como anteriormente:
EUA e URSS, esquerda e direita, ditadura e democracia. O Muro de Berlin já fora
derrubado.
Ainda e assim, as histórias trouxeram apelos e energia
próprios, capazes de encantar.
Mas ontem, ao assistir ao Episódio VII, e ver os rostos
envelhecidos de Hans Solo e da Princesa Leia, vi o meu próprio rosto quase
quatro décadas depois do episódio inaugural. Mais que isso, entendi que os
embates de então não acabaram. Acho mesmo que nunca acabarão. Hoje apresentam-se a mim um pouco mais envelhecidos. Talvez tenham mudado de roupagem, de direção e estúdio. Mas os reconheço como os mesmos. São os mesmos do mesmo modo como eu sou a mesma, ainda que já não...
Sempre renovados, os conflitos, as tensões, as
lutas são continuamente restituídos, reinstalados. Repassados às novas
gerações, que as assumem como se inaugurais...
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