literatices... letras para nada, talvez para tudo... imagens de nada, que podem ser de tudo... matutações... penseros... rabiscações... daquilo que vejo... ou não... porque tomo assento neste tempo quando a humanidade produz vertiginosamente letras, símbolos e imagens, em busca de sentidos, quaisquer que sejam... ou não...
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
domingo, 20 de dezembro de 2015
Duas mulheres, duas artistas, uma saudade
p/ Selma Reis e Nilce Eiko
Ontem partiram duas mulheres cujos trabalhos estão
entremeados à minha vida com doses especiais de afeto.
Nilce, nossa querida Eiko, uma artista sensível, que tive o
prazer de conhecer numa sala de aula, eu, no papel de professora, ela, no papel
de estudante, inquietas, ambas, aprendendo juntas.
Selma Reis, que não conheci pessoalmente. Apesar de não
acompanhar amiúde seu trajeto como artista, saber de sua morte foi como ter
apagada a voz que, em música, marcou partes da minha vida de modo indelével.
Estranho sentimento...
Pela memória de Nilce, disponibilizo um vídeo com a música
“Meu veneno”, de Milton Nascimento e Ferreira Gullar, cantada por Selma Reis.
vídeo disponível aqui
Pela memória de Selma Reis, cantora e atriz, disponibilizo
uma imagem do trabalho de Nilce Eiko Hanashiro.
Porque a vida é finita, e finda, e somos frágeis, e estamos
apenas de passagem...
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Um estranho animal...
Foto:
Gabriel Chaim
disponível em http://www.gabrielchaim.com/
Que animal estranho é esse, da espécie autorreferida como
humana...
Constrói aparatos, complexas estruturas, geringonças de
complicado funcionamento. Procria, ampliando a população em progressão
geométrica. Destrói e mata ainda com mais velocidade. Destrói a si mesmo, aos
próprios aparatos e estruturas. Mata representantes da própria espécie. Mas também
mata e destrói animais de outras espécies, seus aparatos, suas construções.
E é capaz de sentar-se, em meio aos escombros, com olhar
altivo, pleno de orgulho por seus feitos.
Esse animal me inspira medo...
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
papel para carta...
Para minha mãe que hoje completa 88 anos,
e se ressente por não mais receber cartas...
Saí dali com uma certeza: voltarei a escrever cartas para postar via correios. E o primeiro desafio será encontrar blocos com papel de cartas.
domingo, 22 de novembro de 2015
O olhar daquele que vem de longe
Assim que embarquei e me acomodei na poltrona, ao lado
esquerdo do corredor, o meu companheiro de viagem chegou, com uma mochila. Meio
tímido, cumprimentou-me, e se acomodou. Chamou-me a atenção seu modo discreto, e
o cuidado que teve em organizar-se sem invadir o espaço da minha poltrona. Perguntou-me
a que horas chegaríamos a Goiânia. Constatei, ali, sua pouca familiaridade com o
percurso da viagem.
Seguimos: eu, tentando cochilar um pouco, ele, atento à
paisagem visível pela janela. Depois pegou um caderno de capa amarela, com um lápis
desses que têm uma borracha embutida na ponta oposta à com a qual se escreve ou
desenha, e começou a escrever. Confesso que fiquei curiosa, ante comportamento
tão pouco usual.
Já fora da cidade, perguntei-lhe se era a primeira vez que
iria a Goiânia. Sem nenhum sotaque, respondeu Sim, estou no Brasil há três dias, sou dos Estados Unidos. Talvez ante
minha expressão de surpresa pela desenvoltura com que falava o português
brasileiro, completou a informação Minha
família é de Goiânia. Fizemos uma breve pausa no diálogo. Ele tomou a
iniciativa Você sabe onde fica o Setor
Pedro Ludovico? Pela primeira vez percebi o sotaque norte-americano. Sorri
em silêncio: pronunciar o nome Pedro
Ludovico não é mesmo exercício muito fácil para estrangeiros, mesmo os bem
treinados, como ele. Respondi que sim, e tentei situá-lo em relação à
rodoviária, onde desembarcaríamos. Alguém
virá esperar por você? Sim, já o estavam aguardando.
Por vezes, fotografava alguma cena que lhe chamasse mais a
atenção. Anotava coisas no caderno de capa amarela. Achei que ele gostaria de
saber que em Anápolis havia uma réplica da Estátua da Liberdade. Ele riu Como a de Nova York? Confirmei. Já no
viaduto, fotografou a réplica, achando divertido: Legal!
Seu olhar era inaugural: via, pela primeira vez, as coisas
sobre as quais provavelmente ouvira falar desde sempre. Via, pela primeira vez,
as paisagens das quais sua família original provavelmente sentisse saudades. Talvez sentisse saudades,
ele, daquilo que não conhecera, mas soubera por outrem. Reconhecia a si e ao lugar ao qual pertencia sem antes ter estado ali.
Já desembarcados, desejei-lhe boa estadia. Ele ficou aguardando
a liberação da bagagem. Segui, me perguntando se é possível restaurar o
encantamento do primeiro olhar.
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