quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Martins Muniz ataca outra vez!




Já estão em curso as providências e primeiras tomadas do próximo filme do Sistema CooperAção Amigos do Cinema, sob a regência do nosso querido Martins Muniz. Oba!




terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

aprendizagens indeléveis


Queria comprar metros de cordas, cordões, fios grossos de nylon. Fui atendida por um rapaz e um meninote. Para medir 30m de uma corda de algodão, o menino marcou 7,5m, dobrou, fez nova dobra: 7,5 x 2 x 2 = 30. Rapidamente, enovelou tudo entre o dedão da mão esquerda e o ombro, girando a corda com a mão direita. Pronto! O que mais?

Em seguida, pedi 20m de um cordão preto e 20m de outra corda. Então os dois puseram-se à empreitada: 5 x 2 x 2 = 20. Apesar da habilidade do meninote, o rapaz foi muito mais ágil, e terminou com largo espaço de tempo antes dele. Para sua surpresa. Eu me diverti ante a quase competição entre ambos. 

O rapaz decretou, quase vaidoso: Eu faço isso desde meus 5 anos, cara! Perguntei, então, com quem ele fora iniciado àquele afazer, já aos 5 anos. Com meu pai, no mercado. Era possível sentir o orgulho pulsante em sua fala. Pequenino, aprendera com o pai aquilo que seu corpo jamais esqueceria.

Fizeram as contas para chegar aos valores totais que eu deveria pagar, lançando mão de cálculos de funções matemáticas, daquelas que os estudantes penam em sala de aula para compreender. Para eles, era tudo muito fácil e rápido. Demorei alguns segundos para compreender os procedimentos que haviam adotado, e acompanhá-los com curiosidade e prazer. O uso da calculadora parecia cumprir o papel de mera demonstração para mim, cliente, de que não estavam inventando valores. 

À educação escolar cabe o desafio de reaprender o caminho que leve as aprendizagens de volta aos sentidos e aos afetos. O que não significa minimizar a complexidade dos procedimentos. Ao contrário: não é diminuindo a qualidade ou o rigor das aprendizagens que estabelecemos vínculo com a vida. 

A vida! Tão desafiadora que é!

Talvez seja isso: é possível que faltem desafios verdadeiros às aprendizagens propiciadas pela educação escolar...



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

desventuras de um dedo polegar...


Já se passaram quase 20 anos. Eu não estava bem em relação a uma pessoa muito querida, com quem tinha me desentendido. Ainda e assim, decidi levar-lhe umas frutas, conforme eu prometera. Pelo caminho, ia conversando, resmungando, argumentando, apresentando os motivos do meu descontentamento. À saída do elevador, a porta fechou-se sobre meu dedo polegar direito. Fui acolhida enquanto gemia de dor.   A unha não caiu, mas ficou com uma cicatriz: à altura do ferimento, ela passou a ter uma ondulação, na qual é mais frágil.
Aprendi, então, que unhas também podem guardar cicatrizes...

Tanto tempo depois, eu seguia, conversando com meus botões. Imaginava um diálogo com outra pessoa, a quem devotara afeto. No entanto, a certa altura, nos desencontráramos. Tentava, eu, compreender o que se passara. Buscava, também, esclarecer meu ponto de vista na história. Já estacionava, quando decidi colocar um ponto final na pendenga. Fui contundente em meus argumentos, explicando que ainda tinha muito afeto, mas não me esforçaria mais para mudar a situação. Decidida, saí do carro, e fechei a porta sobre o mesmo dedo polegar direito... 

Quando senti a dor e constatei o que havia feito, lembrei-me, de pronto, o que ocorrera há quase 20 anos. Senti que havia alguma relação entre o que sentira da primeira vez com o que estava sentindo naquele momento. Não consegui continuar pensando a respeito. A dor intensa embaralhou minha memória. Precisava tomar alguma providência para minimizar a dor e os ferimentos no dedo já tão magoado. As tristezas do espírito, cuidarei para que não se tornem amargura crônica...

Nada que um pouco de gelo com vinagre não dê jeito.



domingo, 10 de fevereiro de 2013

performance para liberar placentas presas


O galo já havia cantado uma vez, quando minha irmã, a segunda filha, nasceu. Passava, portanto, da meia noite, hora devidamente registrada em cartório, na certidão de nascimento.

Ocorre que, nascida a criança, não tinha quem fizesse o organismo expelir a placenta. A parteira, aflita apesar de toda a experiência e de todas as vidas trazidas ao mundo por suas mãos, resolveu arriscar uma última tentativa. Para isso, precisava contar com a disposição de meu pai, sujeito carrancudo, de poucas conversas, mas que também estava nervoso com a situação.

Pedagogicamente, explicou o procedimento: Compadre, o senhor vai sair, vai dar uma volta em torno da casa, e vai chegar pela porta da frente. Com o chapéu na mão, vai entrar no quarto e dar boa noite.

Teria que repetir três vezes.

Ele fez. No breu da madrugada, caminhou em torno da casa, entrou pela sala, e à porta do quarto, com o chapéu na mão, deu boa noite. Minha mãe respondeu. Então ele saiu. Ela ficou atenta, ouvindo os passos do marido ressoando à volta da casa. E esperou para responder os votos de boa noite pela segunda vez. Na terceira vez, a placenta se soltou.


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

TRANS: VI SEMINÁRIO NACIONAL DE PESQUISA EM ARTE E CULTURA VISUAL





TRANS:

VI SEMINÁRIO NACIONAL DE PESQUISA EM ARTE E CULTURA VISUAL

GOIÂNIA, GO

10 a 12 de junho de 2013


Submissão de trabalhos: 11 de fevereiro a 20 de abril de 2013

Informações e inscrições: www.fav.ufg.br/seminario


Em 2013, o Programa de Pós-Graduação em Arte e Cultura Visual da Faculdade de Artes Visuais (FAV/UFG) comemora 10 anos. Autorizado pela CAPES em 2003, como Programa de Pós-Graduação em Cultura Visual, ele muda de nome em 2010, com a aprovação de seu programa de doutorado, cuja primeira turma ingressa no ano seguinte.


Durante essa década, o Programa, pioneiro na institucionalização do campo de estudos da cultura visual no país, tem realizado anualmente o seu já tradicional seminário de pesquisa que, a partir de 2008, tornou-se nacional. O seminário organizado em torno da área de concentração do Programa – Arte, Cultura e Visualidades – procura reunir a cada edição pesquisadores brasileiros e estrangeiros com o objetivo principal de difundir e estimular a investigação e o debate no – e do – campo dos estudos de cultura visual.


O seminário de 2013 propõe o desafio de pensar o conceito de “trans” (que vai além, que atravessa) não apenas como tema, mas também como ponto de partida para nossas investigações, propiciando a criação de integrações possíveis entre a arte, a história, a ciência, o cinema, a teoria, a prática, o ativismo. Como podem os processos culturais e políticos inseridos no conceito de “trans” em transmediação, transepistemologia, transculturalidade, transdisciplinaridade, transexualidade marcarem não apenas cruzamentos de hibridização, mas também promoverem mudanças estruturais?


Assim, esperamos receber contribuições de pesquisas concluídas ou em andamento na forma de comunicações orais e/ou narrativas visuais que reflitam ou transgridam as zonas cinzentas entre e dentro de disciplinas acadêmicas, modelos teóricos e métodos de criação e produção de visualidades.


Afinal, como W. J. T. Mitchell, um dos nomes fundadores do campo da cultura visual, afirmou na conferência de abertura de nosso Programa de Doutorado, em 2011, (A vida das imagens), o importante sobre os estudos visuais é a indisciplina, aquela que pode romper certas fronteiras, abrir novos canais, ver novas coisas, perceber problemas sobre os quais não pensávamos antes.


Profa. Dra. Rosana Horio Monteiro

Coordenadora
VI Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual.







domingo, 3 de fevereiro de 2013

odores


fui à feira

entre as bancas, ia me deliciando com a multiplicidade de aromas
temperos úmidos, sementes secas, pó acomodado em tigelas
frutinhas vermelhas, amarelas, verdes
folhas macias, cascas desidratadas
raízes exalando memórias da terra de onde foram arrancadas...

queria trazer comigo algumas porções desses cheiros
etéreos, fugidios
mas capazes de imprimir marcas tão fundas nos sentidos...




sábado, 2 de fevereiro de 2013

NÓS & NÓS: instalação relacional






NÓS & NÓS é uma instalação relacional. A estrutura montada não pede outra coisa além da ação das pessoas, estabelecendo relações, fazendo laços, pontos, emendas, tecendo, tramando, ajustando, amarrando, cortando... E também fazendo pausas para ver, pensar, deixar o tempo passar... 

NÓS & NÓS esperamos por vocês. Muitos fios, fibras, tecidos, linhas, agulhas estarão lá, à disposição. Levem vocês também seus materiais. 

Esperamos também que vocês convidem outras pessoas: estudantes das escolas e outros centros, amigos, colegas, família...