sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Goiânia Prosa e Verso, uma coletânea e um copo de coca-cola


p/ Prof. J. Bamberg, amante da poesia, da boa prosa, e de coca-cola

Um amigo querido lançou seu livro de poesias na coleção Goiânia Prosa e Verso, num evento de grandes dimensões no maior shopping center da cidade: quase duas centenas de escritores assinando obras da coleção, e por certo mais de um milhar de pessoas a circular no local, levando consigo volumes devidamente autografados. Ao lado da mesa do nosso anfitrião, uma moça delicada guardava um conjunto de livros, também de poesia. Ao alcance de sua mão, um copo de refrigerante com borbulhas frescas, no ambiente quase abafado. Meu esposo aproximou-se e lhe perguntou: -"A senhora é responsável por estes livros?". A pergunta despertou a moça de uma certa letargia. Rapidamente seus olhos brilharam, ela empertigou-se na cadeira, abriu um sorriso e explicou que os poemas eram do avô. Ela organizara a obra. E começou a contar a história do avô, por quem cultivava especial admiração.

Numa pausa breve que fez, meu esposo atalhou, indo ao ponto de seu interesse, de fato: - "Onde a senhora conseguiu essa coca-cola? Andei procurando por uma, mas não encontrei..."

A moça atrapalhou-se nas palavras. Olhou para o copo sobre a mesa, pensou. -"Ah, foi minha mãe quem trouxe... não sei onde ela conseguiu. Acho que estão distribuindo por aí..." No rosto, estampava a expressão de quem não sabe se prossegue ou não a atividade discursiva. Então meu esposo retomou o assunto, perguntando mais sobre a obra do avô (embora seu desejo estivesse, mesmo, no copo de coca-cola). Repassando as páginas do livro, deparou-se com um conjunto de poemas que lhe tocaram a sensibilidade. Comprou um exemplar, devidamente autografado por ela. Conversaram longamente sobre literatura, escritores goianos, e outras amenidades.

Mais tarde, a mãe da moça fez a gentileza de trazer mais dois copos com o refrigerante fresco. Um brinde à poesia.



quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Lilás



Na manhã nublada, uma explosão lilás ante meus olhos...
(jacarandá mimoso em flor)


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Diversidades II (ou: encontros do Brasil múltiplo)


p/ Ameline, Ju, Marcelo, Aurisberg e Wolney, meus amados.

Semana Farroupilha...
Por aqueles dias, em todas as cidades do Rio Grande do Sul havia atividades intensas dentro das comemorações pela Semana Farroupilha. Gaúchos orgulhosos desfilavam com suas bombachas, e prendas enfeitavam a paisagem com seus vestidos rodados. Outros gaúchos, longe de suas querências, suspiravam saudades, por mais desarraigados que fossem de suas tradições. Era o caso do grupo de estudantes que explicava, a amigos goianos, a força dessa data na conformação do ser gaúcho. Às tantas, perguntou-se: "E o Dia do Goiano, quando é?"

Não há um Dia do Goiano! Como pode ser? Como pode um lugar não ter um dia quando celebre os fatos e artefatos constituidores dos referenciais identitários de suas gentes?


Pamonhas...
Na sequência, uma das meninas gaúchas confessou uma preocupação: durante as férias, de volta à terra natal, como conseguiria passar os dias sem comer pamonha? E o amigo goiano perguntou: "Lá tem poucas pamonharias?"

Não, não há pamonharias... Como pode existir algum lugar sem pamonharias, ou quaisquer biroscas onde se comprem pamonhas, para que as gentes possam se deliciar com seu sabor, à hora que queiram?...



domingo, 2 de outubro de 2011

Quasar Jovem


p/ Marcus Camargo, meu querido bailarino

Chegaram as chuvas. Com elas, os jovens bailarinos do Quasar Jovem abriram as cortinas do palco, com duas coreografias de pouco mais de meia hora cada. Temporada com duas apresentações no Teatro do SESI, novinho em folha. Casa cheia: outros jovens bailarinos, famílias, amigos, amantes da dança, crianças. No intervalo, um menino com menos de dez anos ensaiava uns passos no saguão, entusiasmado com o que vira na primeira parte do espetáculo.

Trovoadas e os sons da chuva ocuparam lugar na cena, num trecho da primeira coreografia, Pomar. E enormes flores de papel pairaram sobre as cabeças dançantes. Sequência leve, lúdica. Senti vontade que se buscassem relações mais próximas entre movimento e cenário. Por vezes, as flores se impuseram à dança. Desejei que os corpos sobrepujassem aquelas flores...

Na segunda parte, intitulada Por si mesmo, com ambiente mais sóbrio, música impactante, a coreografia ganhou em coesão e densidade. Belo espetáculo, com ritmo justo até o último gesto de fechamento. Bravo!

Sobretudo, impõe-se o mérito inquestionável do trabalho voltado para a formação de jovens bailarinos, muitos dos quais já demonstrando, de modo exuberante, domínio da cena e do corpo como matéria prima de criação.

Que venham as chuvas! Que retumbem os tambores. Há muito o que se dançar. Goiânia tem corpo de baile para isso!

Merda a todos! Quebrem suas pernas!



Anel de Moebius II







Anel de Moebius






Diversidade



pelas calçadas de Copacabana
idosos levam a passear
chinelas impregnadas de memórias
vendedores de chapéu panamá
temem a fiscalização
e corpos dourados pelo sal da praia
são o deleite de olhares turistas...

                                                         Terra Gwayá, 2 de outubro de 2011