terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Chamada para o V Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual




GEOPOLÍTICA, ARTE E CULTURA VISUAL
Faculdade de Artes Visuais | FAV
Universidade Federal de Goiás | UFG
Goiânia, GO
4 a 6 de junho de 2012

Uma série de práticas visuais sempre entrelaçadas com outras culturas e processos são propostas para o desenvolvimento, implantação e resistência de geopolíticas. Essas diversas culturas geopolíticas produzem e difundem maneiras de ver o mundo, que são continuamente re-eleitas e adaptadas às novas circunstâncias geopolíticas.

“Cultura visual e geopolítica” à primeira vista pode parecer uma relação estranha. No entanto, ao refletirmos sobre como chegamos a conhecer os acontecimentos mundiais, ou a natureza global e a política dos principais produtores de imagem do nosso tempo, a percepção da geopolítica e da cultura visual como áreas afins torna-se cada vez mais evidente. Assim, é possível pensar em visualidades decorrentes de, e ajudando a produzir, lugares e tempos diferentes.

O V Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual pretende reunir pesquisadores, estudantes de doutorado e mestrado, para juntamente com os conferencistas convidados debaterem o tema “Geopolítica, arte e cultura visual”. Inicialmente com abrangência apenas local e regional, o evento, organizado anualmente desde 2000 pelo programa de Pós-Graduação em Arte e Cultura Visual da Universidade Federal de Goiás, tornou-se nacional em 2008.

Na edição de 2011 o seminário reuniu cerca de 200 participantes, entre convidados, ouvintes e debatedores, que apresentaram trabalhos em duas modalidades: comunicação oral e narrativas visuais.

O Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual constitui-se em um espaço interdisciplinar para discussões de questões relacionadas às Artes e à Cultura Visual, com foco, principalmente, nas investigações sobre as manifestações de sentido que articulem cultura e visualidades. O evento tem se consolidado como referência na área de Artes, ao reunir anualmente pesquisadores do Centro-Oeste e de outras regiões do país e da América do Sul, contribuindo, dessa forma, para o fortalecimento do campo da Arte e da Cultura Visual na América Latina.


Link de acesso: V Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual










sábado, 25 de fevereiro de 2012

Simpósio Educação e Cultura Visual no 21º Encontro Nacional da ANPAP

O 21º Encontro Nacional da ANPAP será realizado no Rio de Janeiro, no período de 24 a 29 de setembro. Dentre os 12 simpósios em torno dos quais serão organizadas as comunicações, está o Simpósio Educação e Cultura Visual, do qual tomam parte professores que integram o Grupo de Pesquisa Cultura Visual e Educação.


As inscrições de trabalhos podem ser feitas até o dia 30 de março.


Vale a pena verificar esse e os demais simpósios, bem como a programação toda do evento, e o cronograma geral, no link abaixo:


21º Encontro Nacional da ANPAP - Simpósios



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Apontamentos sobre saudades


Este texto foi produzido em resposta à solicitação
 feita pelo meu querido amigo Elinaldo Meira,
 e refere-se à sua pesquisa de pós-doutorado no PACC/UFRJ.
 Está dedicado a ele, e à minha querida Heloísa Buarque de Hollanda,
 mentora primaz daquele Programa,
 e supervisora do projeto de pesquisa em pauta.
Saudades.

Buscando a etimologia da palavra saudade, encontramos indicações de sua raiz na palavra latina solitatem, é o que defende, entre outros estudiosos da língua portuguesa, Francisco da Silveira Bueno (1974). O verbete diz de um sentimento que mistura tristeza e esperança, ante a ausência de uma pessoa, de um país, de que se está distante, privado. Mas diz, também, da esperança de ainda revê-los. A palavra chega à sua forma contemporânea tendo tomado, no século XIII, as formas arcaicas soidade e soydade, no século XV, a forma soedade e, no século XVI, suydades.
No entanto, João Ribeiro (ALMEIDA, 1980) questiona a informação de que o termo soidade seja a raiz de saudade, e acena para a possibilidade de influência da língua árabe. Nela, se encontram as expressões saiad, saudá e suaidá, que, além de “lembrar” a palavra saudade, têm certo sentido de profunda tristeza, “do sangue pisado e preto dentro do coração” (p. 260).
Não importa se uma palavra de origem latina ou árabe, sentir saudades, no ambiente da língua portuguesa contemporânea (vale lembrar que o sentido de saudade tem representação em palavras em outras línguas, também, não só no português, como nós, seus falantes, desejaríamos que fosse. A exemplo das palavras citadas, no árabe), pressupõe um investimento afetivo voltado para eventos já vividos, ou pessoas conhecidas, objetos, enfim, que, anteriormente próximos de alguma forma, se tenham ausentado. Contudo, a ausência, a distância espacial ou temporal mais relevante não é a de dimensão objetivamente mensurável, mas subjetiva, relacionada com a intimidade do sujeito que sente solidão pela falta, cujo coração encontra-se tomado por dor e sangue pisado.
Mas Elinaldo propõe, em seu projeto de pesquisa, pensar em relações, dentre outras, entre noções de saudade e virtual. O que me pareceu instigante. Podemos começar a pensar sobre a questão, tomando a fala encontrada no poema dramático O Marinheiro (1980), de Fernando Pessoa, escrito em 1913, quando uma das personagens, a Segunda Veladora, declara que “só o mar das outras terras é que é belo. Aquele que nós vemos dá-nos sempre saudades daquele que não veremos nunca...” (p. 114).
Ora, o mar, aquele que não veremos nunca, é virtual: existe como potência a ser realizada. A saudade refere-se, assim, a um sentimento investido num evento virtual, ainda não atualizado. O atual, que se contrapõe ao virtual, está aqui, agora, viabilizado, com sua potência tornada concretude. Do atual, não sentimos saudade, pois não está ausente, não nos acena como possibilidade: é, aqui e agora. Não há sangue para ser repisado no fundo do coração...

ALMEIDA, R. C. de. Dicionário etimológico da língua portuguesa. Brasília: Valci Editora LTDA, 1980.
BUENO, F. da S. Grande dicionário etimológico-prosódico da língua portuguesa. São Paulo: Ed. Brasília LTDA, 1974.
PESSOA, F. O eu profundo e os outros eus. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A vida venceu! O filhote sobreviveu!



Em novembro passado, acompanhei um casal de quero-queros com uma ninhada recém-descascada. Os quatro filhotes logo ficaram reduzidos a um, e não demorou para que eu encontrasse o casal solitário, sem filhote algum. Logo a fêmea estava aninhada, chocando mais quatro ovos, enquanto o macho andava às voltas, vigiando. Pouco antes do Natal, a nova ninhada ganhou o gramado. Dos quatro, logo encontrei apenas dois. Saí de férias com a impressão de que, quando retornasse, reencontraria o casal sem os filhotes, talvez insistindo em mais uma ninhada. No meu retorno, a primeira coisa que fiz foi andar pelo gramado, com cuidado, para não espantá-los. Só avistei o macho, passeando pelo asfalto. E a família de corujas buraqueiras, vizinhas dos quero-queros, que ficam observando o movimento, e gritando com os visitantes indesejados - eu, por exemplo. Os dois filhotes do casal de corujas já estão taludinhos, as penas mais escuras. Quase já não os diferencio dos pais. No segundo dia, observada atentamente pelas corujinhas, retornei à área. Avistei o macho, a fêmea, e um terceiro quero-quero aninhado num trecho do gramado, perto do asfalto. Chegando um pouco mais perto, confirmei: um dos filhotes sobreviveu, e já tem o porte quase igual ao dos pais. A família aumentou. Agora são três, calmamente instalados, observando os passantes.

E assim, prossegue a vida.




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012