literatices... letras para nada, talvez para tudo... imagens de nada, que podem ser de tudo... matutações... penseros... rabiscações... daquilo que vejo... ou não... porque tomo assento neste tempo quando a humanidade produz vertiginosamente letras, símbolos e imagens, em busca de sentidos, quaisquer que sejam... ou não...
domingo, 3 de setembro de 2017
sábado, 26 de agosto de 2017
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
Não ser feminista é similar a ser escravagista.
O feminismo é o movimento de igualdade de que estávamos
precisando. Não ser feminista é similar a ser escravagista. A decência diz que é
preciso vencer o lugar comum e respaldar que homens e mulheres são iguais na
casa, no trabalho, nas instituições, na religião; que não pode haver normas
coercitivas por costumes ou interesses. Feminismo é decência, simplesmente. Nada
mais e nada menos que isso.
Pilar del Río.
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
segunda-feira, 24 de julho de 2017
Conversas com Dona Olga
No pequeno restaurante, Dona Olga atende os fregueses com gentileza: monta os pratos feitos, arruma a mesa, serve o café, oferece sempre um sorriso tímido, fala pouco.
Pela manhã, fugindo à regra, desatou a conversar. Estava às voltas com uma questão que a inquietava: De que vale homenagear as pessoas depois que elas já morreram?
Interessei-me por sua pergunta. Começamos a conversar sobre o assunto. Ela contou-me de uma senhorinha que, em vida, era muito só. Deixou sua herança para um projeto social de sua cidade. Então, e só então, os membros desse projeto, e seus vizinhos, e demais moradores do local descobriram que ela tinha um acervo com grande valor cultural. Em razão disso, organizaram várias homenagens a ela. Mas, como insistia Dona Olga, tais homenagens não chegaram à senhorinha... Eram, na verdade, uma espécie de redenção da comunidade pelo não reconhecimento a ela, em vida.
Contei-lhe a história de Van Gogh que, em vida, teve apenas uma pintura vendida, e atualmente seus quadros estão entre os mais caros no mercado da arte. Lembrei também da artista Artemísia e sua dramática história. Ela então ponderou que, se hoje as mulheres vivem circunstâncias tão desfavoráveis, como teria sido lá pelos séculos XV, XVI, XVII?
Perguntei-lhe então se gostava de poesia. Seus olhos brilharam, respondeu que sim. Que iria dar-lhe, então, um livro de poemas escritos por minha mãe, falei. Sorriu. Ela também já escrevera poemas. Era quase uma confissão. Nunca os publicou? Não, foi sua resposta. Disse que, à época, trabalhava num comércio, e tinha um caderno, onde metia as poesias que lhe apareciam à cabeça. Disse também que tinha escrito muitas, mas que estavam guardadas.
No dia seguinte, entreguei-lhe o livro. Espero que goste dos escritos da minha mãe. E que possamos celebrar a poesia, a experiência estética, os encontros fraternos em vida, sempre!
Pela manhã, fugindo à regra, desatou a conversar. Estava às voltas com uma questão que a inquietava: De que vale homenagear as pessoas depois que elas já morreram?
Interessei-me por sua pergunta. Começamos a conversar sobre o assunto. Ela contou-me de uma senhorinha que, em vida, era muito só. Deixou sua herança para um projeto social de sua cidade. Então, e só então, os membros desse projeto, e seus vizinhos, e demais moradores do local descobriram que ela tinha um acervo com grande valor cultural. Em razão disso, organizaram várias homenagens a ela. Mas, como insistia Dona Olga, tais homenagens não chegaram à senhorinha... Eram, na verdade, uma espécie de redenção da comunidade pelo não reconhecimento a ela, em vida.
Contei-lhe a história de Van Gogh que, em vida, teve apenas uma pintura vendida, e atualmente seus quadros estão entre os mais caros no mercado da arte. Lembrei também da artista Artemísia e sua dramática história. Ela então ponderou que, se hoje as mulheres vivem circunstâncias tão desfavoráveis, como teria sido lá pelos séculos XV, XVI, XVII?
Perguntei-lhe então se gostava de poesia. Seus olhos brilharam, respondeu que sim. Que iria dar-lhe, então, um livro de poemas escritos por minha mãe, falei. Sorriu. Ela também já escrevera poemas. Era quase uma confissão. Nunca os publicou? Não, foi sua resposta. Disse que, à época, trabalhava num comércio, e tinha um caderno, onde metia as poesias que lhe apareciam à cabeça. Disse também que tinha escrito muitas, mas que estavam guardadas.
No dia seguinte, entreguei-lhe o livro. Espero que goste dos escritos da minha mãe. E que possamos celebrar a poesia, a experiência estética, os encontros fraternos em vida, sempre!
quinta-feira, 13 de julho de 2017
Aqui, agora
Recebi um mimo para entregar à minha mãe. Um burrinho
pequenino, cuidadosamente construído com diversos materiais, por mãos de
artífice habilidoso, artista popular.
Cheguei à sua casa, e lhe entreguei o mimo. Quem mandou? O
Juan, minha mãe. Juan? Buscou na memória frágil alguma referência que a
ajudasse descobrir quem era Juan. Trouxe-lhe uma almofada rosa, de que ela
gosta muito. Lembra desta almofada? Quem fez foi a Lola, avó dele. Ele quem lhe
trouxe. Ela fez hannnnn, como se lembrasse. Mas fez só para não ter que
encompridar um exercício de memória que resultaria em nada.
Ela se encantou com o burrinho. Beijou, brincou com ele,
procurou um lugar bem à vista para guardar: Não posso colocar num lugar onde
ele corra o risco de cair... Colocou na sala, junto com o boizinho de fibra de vidro, ao
lado de dois bibelôs na forma de cachorro. O burrinho era muito menor que o
boizinho, e também perdia em tamanho para os cachorros. Rimos por isso.
Alguns minutos depois, já na cozinha, comentei sobre o
burrinho. Ela me olhou, sem entender o comentário: Burrinho?...
Voltamos à sala. Quando avistou o burrinho, lembrou-se: Ah,
o meu burrinho, é bunitinho!
Do Juan, ainda não conseguiu se lembrar. Mas agradece pelo
mimo, toda afetos.
domingo, 2 de julho de 2017
Quem tem medo do Photoshop?
Cheguei à copiadora de
costume. Os dois rapazes que atendem estavam ocupados. Então a gerente veio me
atender. Expliquei que eu precisava fazer a cópia da minha identidade, frente e
verso, e da carteira de motorista, todas juntas na mesma página, a cores. Perguntei:
você pode fazer isso? Notei um lampejo de hesitação no seu rosto. Ela olhou na
direção de um dos rapazes. Olhou para mim. Nessa fração de segundo, ocorreu-me
um conjunto de estratégias que eu poderia usar, dispondo de vários programas de
computador, para fazer isso. Arrependi-me de não ter preparado o arquivo, levando-o já pronto. Então ela disse: Posso fazer, sim. Entreguei os documentos a
ela, que foi digitaliza-los. Depois mos devolveu, e disse: Vai demorar só um
pouquinho. E foi trabalhar num dos computadores disponíveis. Depois de alguns
minutos, fui observá-la enquanto editava o material. Estava trabalhando com o
Photoshop. Mas, a certa altura, não conseguiu reunir a segunda imagem ao
arquivo aberto. Fez algumas tentativas. Chamou o rapaz, já liberado da
tarefa anterior. Ele veio, e mostrou a ela uns atalhos, por meio dos quais
rapidamente conseguiu realizar o intento. Mais um e outro ajuste, estava
pronto. Eu sorri, e brinquei: Ah, Photoshop, cheio de segredos e atalhos! O
rapaz sorriu, com ares de expertise. Ele comentou que só consegue trabalhar fazendo uso de atalhos. Então a
gerente olhou para mim, e comentou: Você não vai acreditar, mas é a primeira
vez que eu mexo com o Photoshop! Já não havia hesitação no seu rosto. Ao contrário,
estava contente. Alegre como uma criança que consegue superar um desafio. Comentei
que tinha observado alguma hesitação no seu rosto, quando fiz o pedido. Ela respondeu
que, constatando estarem os dois rapazes ocupados, se perguntou se ela própria
conseguiria. Então decidiu tentar. E conseguiu ir sozinha até certa altura. Já se
sentia especialista em Photoshop!
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